quarta-feira, julho 11, 2007
(Poema) Humanismo
coisas perdidas...
soltas, sem ligação.
Vejo-me num mar...
repleto de ideias...
loucas, sem razão.
Queria sair...
esvaziar o mundo...
todo, sem compaixão.
Voarei um dia
para longe do pragmatismo,
serei apenas sonho,
ideal e humanismo.
segunda-feira, julho 09, 2007
(Poema) O Escolhido
procurei um sinal de ti,
imaginei-te num sorriso
que quero acreditar já o vi.
Senti a tua respiração
e o cheiro do teu perfume,
perdi noites para te criar
num quente e brando lume.
Vi teu sorriso e teu olhar
concebidos pela minha ilusão,
espero agora o nosso encontro
e a nossa noite de paixão.
Eis que finalmente chegaste
e aqui te quero sempre por perto,
pois eu sou aquele, o Escolhido
para saberes se te sou o certo.
sábado, julho 07, 2007
(Pensamento) Incapacidades II
Estamos incapazes quando não sentimos vontade de ultrapassar quaisquer dificuldades ou obstáculos.
Estamos incapazes quando tudo o que é pequeno se transforma em restrição.
As incapacidades são sempre evitáveis com a atitude certa. Cabe apenas a nós mesmos não nos deixarmos cair nelas.
quarta-feira, julho 04, 2007
(Poema) Pintura de Palavras
porque teu dom tem lápis e papel,
mas dizes-me que apenas desenhas
com cores suaves, em tons pastel.
Chamas-me de intenso e expressivo
dizes que pinto com as vogais
e que com a pena a que dou uso
dou corpo à alma dos demais.
Sei-te requintada e bonita
como a tua fonte de inspiração,
acabaste por desenhar-me o texto
com um lindo lápis de carvão.
Longe pelo mar
trocamos ideias ousadas,
dominamos a tinta e as letras
juntando as peças procuradas.
E aqui nos cruzamos,
nesta pintura de palavras.
terça-feira, julho 03, 2007
(Poema) Que Fizeste Tu?
Às fadas, aos princípes e às princesas,
às sereias e aos cavalos brancos armados?
Aos castelos, aos coches e às nobrezas,
aos unicórnios e aos doendes verdes achados?
Que fizeste tu?
À terra, ao sol e ao mar,
ao arco-íris e ao brilho da constelação?
À praia, à maresia e ao luar,
a marte, às estrelas e a plutão?
Que fizeste tu?
Aos sonhos, aos ideais e à emoção,
aos cuidados e ao dever de ali estar?
Aos sentimentos, à crença e à paixão,
às carícias e à benção de um olhar?
Que fizeste tu?
domingo, junho 24, 2007
(Poema) Tudo em Ti
As tuas feições,
os teus traços,
as tuas mãos e braços.
O teu requinte,
a tua inteligência,
a tua calma e paciência.
A tua postura,
os teus sabores,
os teus cheiros e odores.
A tua sensibilidade,
os teus gemidos,
os teus gestos queridos.
Adoro tudo em ti...
A tua atitude,
a tua fragilidade,
a tua pureza e verdade.
Os teus sonhos,
os teus anseios,
as tuas expectativas e receios.
O teu pulsar,
a tua imaginação,
o teu humor e preocupação.
O teu corpo,
os teus peitos,
as tuas virtudes e defeitos.
... tudo em ti.
(Dissertação) Crianças Especiais
Curiosamente, sempre estive muito próximo delas. Porque convivi aqui ou ali em pequeno com algumas e porque precisamente nessa altura a educação e intervenção dos meus Pais foi essêncial e determinante na forma como passei a olhá-las.
Nunca desde esse momento as vi como detentoras de algum handicap em relação às outras, mas apenas como diferentes num aspecto concreto, como aliás todos nós, ditos "normais", somos diferentes aqui ou ali dos demais.
Durante todas as etapas do meu crescimento até chegar à idade adulta, a forma de as olhar foi ganhando novas dimensões, tornando-se hoje muito mais globalizadora, encerrando por isso no seu âmbito um conjunto muito mais vasto de meninos e meninas especiais.
E a minha atitude perante estas pessoas passou a assentar numa maior atenção, carinho e cuidado.
Devemos lembrar sempre que alguns dos factores que determinam a nossa auto-estima estão relacionados com os inputs do mundo exterior, ou seja, com a forma como o mundo que nos rodeia interage connosco, uma vez que essa interacção nos pode condicionar a forma como nos vemos em determinados aspectos.
Passei assim a dirigir uma palavra diferente ou piropo apenas às pessoas menos bonitas, às menos magras, às mais inseguras e às especiais, mesmo tratando-se de totais desconhecidas para mim. E sempre recebi delas um enorme sorriso. Eu sei o porquê.
Por coincidência, passei há uns anos por uma experiência determinante no sentido de perceber se esta minha atitude era válida para terceiros apenas, ou se se aplicaria também às futuras pessoas do meu próprio sangue.
Na altura, a médica que me acompanhou informou-me sobre o sindrome de Down, dos riscos reais que existiam e aconselhou-me a pensar nas possíveis acções a tomar a curto prazo.
Não tive dúvidas nenhumas. Não precisei sequer de tempo para pensar. A minha atitude estava cimentada no mais profundo de mim: na minha alma.
Quis aquela criança mais do que tudo e já imaginava até as alegrias que uma criança especial nos concede a nós, adultos.
E aos mais cépticos deixo aqui uma mensagem muito clara: sei do que falo por tudo o que passei e que, por mero acaso e apenas por isso, teve como corolário o nascimento de uma criança perfeitamente "normal", se normal fôr entendido como "não especial".
Aprendi ao longo da vida a admirar as Mães e Pais que aceitaram estas crianças (que as quiseram mesmo) e aprendi a olhar para elas (para as crianças) da única forma que me parece justa.
São crianças por natureza felizes, meigas, atentas, inteligentes no nosso mundo e fieis aos sentimentos.
Nasceram puras como todos nós, mas não se perdem na ganância, no egoísmo e na mentira do mundo dos adultos.
Nascem crianças, mas não passam a vida adulta a querer retornar à sua origem de criança, ou seja, a viver uma vida no Aqui e Agora, pura no sentimento e verdadeira na intenção.
Para elas não há retorno para ambicionar porque vivem em permanente estado de graça.
E por isso as amo, lhes dedico amor e atenção, tento aprender com elas e as considero Especiais.
Sim, porque há mesmo crianças especiais.
sábado, junho 23, 2007
(Poema) Por Fim
que mais posso agora dizer?
é que percebi hoje por fim
que esta estrada onde estavam os meus pés
não tem mais caminho para mim.
O meu farol apagou
por onde me vou agora guiar?
é que percebi hoje por fim
que apesar de não saber para onde ir
aquela luz já não me guia a mim.
O meu amparo faltou
a quem me vou agora segurar?
é que percebi hoje por fim
que mesmo querendo uma base para me suster
aquela mão já não está lá mais para mim.
O sonho acabou,
o farol apagou,
e o amparo faltou.
Que mais posso agora fazer?
é que percebi hoje por fim
que esta vida já não é mais para mim.
quinta-feira, junho 21, 2007
(História) Uma Estrela no Céu
Seu corpo habitava a cidade cosmopolita, mas sua alma continuava ligada ao mundo paralelo onde nasceu.
O menino era um menino diferente. Diziam-no todas as pessoas que com ele partilhavam vida no mundo terreno.
Tinha herdado de seu Pai, naquela terra distante, caraterísticas que outros teimavam em chamar de raras e muitas vezes de únicas.
Hoje era dono de uma sensibilidade fora do comum, orientada para os sentidos: para a visão, para o olfacto, para o tacto e para a audição.
Possuía também o dom da palavra, consequência do ser espiritual e intelectual em que se tornara e efeito do legado deixado pelo seu Pai.
Era um ser altruísta: vivia grande parte do tempo para outros, orientando o seu esforço sempre em benefício de terceiros.
Todos o consideravam uma pessoa justa e imparcial e por isso o procuravam de forma constante para ouvir a sua opinião.
Distinguia bem os positivos efeitos imediatístas de uma decisão errada, dos seguros efeitos no longo prazo de todas as decisões acertadas e por este motivo o classificavam como visionário.
Previligiava os diálogos, as actividades músicais, o desporto, a literatura e as artes.
Mas parte da sua vida mundana era passada de acordo com as conformidades e necessidades instituídas pela sociedade que vigorava.
Usava a predominância espiritual e intelectual para colocar magia em todos os campos mais físicos da sua vida. Não imaginava uma qualquer actividade física sem que a mesma fosse controlada pela parte espiritual.
Para ele, a parte física era a parte visível da sua espiritualidade e intelectualidade e como tal um seu reflexo.
Mas nesse seu outro mundo, era um menino muito só. Apesar de querido, admirado e cobiçado no universo feminino, a barreira entre os dois mundos sempre pareceu inviolável.
O menino foi crescendo e em mais de quarenta relações nunca encontrou alguém que conseguisse transpôr aquela barreira, entre o mundo que era apenas dele e o mundo dos mortais.
Aos poucos, foi percebendo então que não estava escrito no seu destino o encontro com a sua verdadeira Princesa.
À imagem do Pai, a sua vida tinha sido resgatada por alguém superior para que pudesse servir um propósito maior: viver em benefício de terceiros.
E assim, tal como o destino tinha traçado, aquele menino, agora Homem, passou a orientar a sua imensa luz na direcção de todos os que o rodeavam, procurando guiá-los na descoberta da alegria, da paz, da tranquilidade e do amor.
Ganhou o menino, agora Homem, e ganhou o mundo mais uma estrela no céu.
quinta-feira, maio 31, 2007
(Poema) Este Vazio
e por vezes é muito difícil habitar com ele.
Vejo uma casa... com alma única
mas sem um corpo comum
e uma vida... com um sentido
mas sem as duas vias.
Hoje ninguém me tira este vazio...
e por vezes é tão difícil habitar nele.
Vejo outra vez uma casa... moderna e bonita
mas sem o verde e a luz
e ainda uma vida... nobre
mas sem um destino final.
Hoje nada nem ninguém me tira este vazio...
que é mesmo tão difícil de habitar.
segunda-feira, abril 23, 2007
(Pensamento) Lembrar o Amor
não é recordar o que recebemos
mas sim o que demos de nós,
não é recordar o apoio que tivemos
mas sim a ajuda que prestámos,
e não é recordar que estiveram por nós
mas sim que estivemos por alguém.
Lembrar o amor...
não é recordar as desculpas que aceitámos
mas sim pedi-las pelas nossas falhas,
não é recordar que acreditaram em nós
mas sim que acreditamos por alguém,
e não é recordar que não nos abandonaram
mas sim que nós nos mantivemos ao lado.
Lembrar o amor...
não é recordar as surpresas que nos fizeram
mas sim aquelas com que presenteámos alguém,
não é recordar as alegrias que vivemos
mas sim a felicidade que oferecemos,
e não é recordar a atenção que nos deram
mas sim o cuidado que tivemos.
Lembrar o amor...
não é recordar o abandono a que fomos sujeitos
mas sim o abandono a que sujeitámos alguém,
não é recordar a dôr que nos impuseram
mas sim o sofrimento que causámos,
e não é recordar as injustiças de que fomos vítimas
mas sim as injustiças que cometemos.
E honrar o amor
é pedir desculpa a alguém
por não termos estado a seu lado
quando ela mais precisou.
quarta-feira, março 14, 2007
(Pensamento) Perda e Ganho
Senão vejamos:
Todo o tempo que investimos na execução de uma tarefa é tempo que perdemos, deixando de o ter disponível para outras actividades. Mas podemos chegar ao final da tarefa e, eventualmente, ter retirado dali prazer, lições ou até outras formas de olhar determinado assunto. E é precisamente aqui que pode estar o ganho - mas alguns de nós sabem que nem sempre é assim.
Por isso digo que a vida nos garante sempre a perda mas eventualmente, aqui ou ali, nos deixa também retirar um ganho.
Apliquem esta fórmula a tudo e irão perceber onde quero chegar.
Quantos de nós não leram um livro inteiro e no final não o apreciaram? Quantos de nós não tentaram uma reaproximação a alguém que não deu fruto? Quantos de nós não fizeram convites a pessoas que depois não apareceram? E quantos de nós não se envolveram totalmente num projecto que não resultou?
Em tudo a perda é garantida, enquanto que o resultado é sempre incerto.
Assimilem-no bem.
E deixarão de ter medo de perder (porque essa perda é sempre garantida), mas saberão também que só através da perda poderemos retirar o ganho.
A lei é esta e não falha. Nunca.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
(Pensamento) Flores de um Anjo
olha bem para as flores que ali colocas como sendo imagem tua.
Observa em pormenor suas pequenas características...
e identifica os seus pontos comuns.
Todas elas irradiam beleza, encanto,
alegria, pureza e paz.
Têm luz, têm brilho...
são simples e tão fortes por isso mesmo.
Não têm artificios,
são directas e tudo está lá...
é assim que te vejo, porque as escolhas são tuas.
E meu anjo...
limpa agora teu rosto,
porque tens um mundo teu para sorrir,
e nunca viveste a escuridão como outros...
agradece a Deus essa luz que te deu,
porque poucos têm a sorte de a verem brilhar em si mesmos.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
(Poema) Terra, Sal e Ar
dizias tu, pequena fada,
a uma alma agora acordada,
"Quero-te aqui!",
e ficavas a olhar...
para ti
fui terra, sal e ar.
"Voa para mim!",
pedias tu, meu encanto,
a um menino em total espanto,
"Estou aqui!",
enquanto tua mão sentia pousar...
para ti
fui terra, sal e ar.
"Dá-me a tua mão!",
desafiavas tu, pequeno anjo,
a um coração em perfeito arranjo,
"Senta comigo na Lua!",
dizias com os olhos a brilhar...
para ti
fui terra, sal e ar.
Hoje não sei do anjo...
e já não o vejo voar...
mas para ti...
sei que fui terra, sal e ar.
segunda-feira, dezembro 25, 2006
(Pensamento) Natal II
...esta noite vamos todos parar um pouco. Sem excepção. Param os ricos, os ocupados, os indisponíveis, os importantes, os arrogantes, os distraídos e os de boa saúde.
E vão parar para dedicar um pouco do seu tempo aos que nunca tiveram a sua sorte. Vão parar, para de uma vez por todas perceberem que o Mundo, aquele que Deus criou, foi feito para todos e, assim, entenderem que todos merecem a oportunidade de estarem incluídos num mesmo Mundo, naquele que de alguma forma hoje apenas pertence aos eleitos.
E que nesse espaço têm de caber os excepcionais, os bons, os medianos e os fracos, desde que a atitude de todos seja comum: uma atitude de entrega e de esforço.
A maioria das pessoas que hoje lê esta mensagem está numa posição de poder mudar algo - de dar uma oportunidade a alguém que tem a atitude certa.
Vamos fazê-lo, cada um na sua área de influência.
Não por nós, mas porque um dia poderemos ter um filho que não pertença ao mundo dos eleitos de hoje mas para quem, apesar disso e por ser nosso filho, pretendemos que lhe seja dada uma oportunidade justa.
Nós temos filhos. E não os pretendemos ver excluídos de uma sociedade egoísta e economicista que nós mesmos ajudamos a construir. Cabe-nos a nós ensiná-los a ter a atitude correcta, mas nunca poderemos garantir a sua entrada no mundo dos eleitos.
Para os nossos filhos, essa entrada vai depender de outros, mas estejam certos de que para os filhos desses mesmos outros, essa entrada vai depender de pessoas como nós.
Vamos fazer isso mesmo. Esta noite...
sexta-feira, novembro 17, 2006
(Pensamento) Duas Vidas, Uma Alma Comum
Raízes diferentes, agora únicas, de mistura.
Misturam tendências, gostos, objectivos e sonhos, comportamentos e formas de estar, posturas e atitudes.
Resultam numa alma. Única. Fonte de inspiração, orientação, Norte, e exemplo para todos os que aí vêm.
Criaram filhos, receberam genros, conheceram netos e viveram alegrias, superaram preocupações, aceitaram desafios, testemunharam conquistas e prezaram amigos. Sempre.
Criaram uma Família. A Família. E com isso geraram a mesma corrente, nas gerações futuras.
Posso até parecer estar de fora, mas sinto-me parte integrante desta Grande Onda, onde se conjugam na perfeição o respeito, a lealdade, a pureza, a amizade, o altruísmo, o empenho e a dedicação.
Que grande lição de Vida. E que grande honra poder vivê-la ao lado do Homem do Leme, feito de duas vidas e de uma alma comum.
segunda-feira, outubro 02, 2006
(Pensamento) Dias Difíceis
Dias de sombra, de desilusão, de perda e de solidão.
Dias de turbolência, de incerteza, de recolhimento e de pobreza.
Dias de ausência, de prisão, de saudade e de separação.
São dias para parar, para pensar, para definir e para agir.
Dias Difíceis...
Dias de encanto, de regeneração, de anjos e de superação.
Dias de coragem, de nascimento, de atitude e de novo alento.
Dias de luta, de clareza, de fé e de beleza.
São dias para aceitar, para realinhar, para amadurecer e para vencer.
Dias Difíceis... como crescer sem eles?
domingo, setembro 24, 2006
(Pensamento) Fortes e Fracos
Os fortes assumem, os fracos escondem.
Os fortes ficam, os fracos fogem.
Os fortes empenham-se, os fracos desistem.
Os fortes mudam, os fracos acomodam-se.
Os fortes constroem, os fracos destroem.
Os fortes querem amar, os fracos querem ser amados.
Os fortes querem aprender, os fracos acham que já sabem.
Os fortes encontram soluções, os fracos procuram-nas nos outros.
Os fortes reconhecem, os fracos enganam-se a si próprios.
Os fortes são alegres, os fracos são tristes.
Os fortes sofrem, os fracos fecham-se.
Os fortes atraem, os fracos repelem.
Os fortes agem, os fracos apenas pensam.
Os fortes complementam a acção com a palavra, os fracos encaram a palavra como o motor.
Os fortes equilibram-se na desgraça, os fracos perdem o Norte.
Os fortes olham para a frente, os fracos olham para trás.
Os fortes vivem o presente, os fracos revivem o passado.
Os fortes quebram os laços, os fracos vivem presos nas teias.
Os fortes gritam, os fracos engolem.
Os fortes choram, os fracos fingem.
Os fortes recomeçam, os fracos morrem.
Os fortes vivem na provação, os fracos roubam.
Os fortes perdoam, os fracos vingam-se.
Os fortes pedem desculpa, os fracos não as aceitam.
Os fracos podem sempre vir a ser fortes, mas os fortes nunca mais serão fracos.
sábado, agosto 12, 2006
(Pensamento) Imobilidade
Assim, podemos considerar que há sempre um conjunto de factores que se conjugam num determinado momento para que algo aconteça, sendo que pelo menos uma parte desses factores pode ser sempre controlado por nós.
Conheço vidas falhadas e vidas difíceis, encontrando nas pessoas que dela fazem parte, sempre o mesmo conjunto de características determinantes para o insucesso: a apatia, a dúvida, o medo e a insegurança. Em suma, a Imobilidade.
Mas, o bom de tudo isto é que, quando muda a atitude e o empenho, mudam invariavelmente os resultados.
A Sorte e a Bonança sempre se construiram.
segunda-feira, julho 03, 2006
(Poema) Te Quisiera Aquí
Tus palabras me hacen tener mi alma llena y me hacen soñar una otra vez.
Me gustaría compartir contigo mi vida de hoy: mi ciudad, mi casa, mis cosas... todas mis pequeñas cosas, mi paraíso y todo lo que es la vida mia.
Sueño tocar piano para ti... pero no con mis manos, antes con mi alma e mi corazón, llevarte a cenar y quedarme horas, dias, hablando contigo.
Poder mirar a tus ojos y leer lo que dicen en absoluto silencio.
Te quisiera aquí, con corage y confianza de que tenemos una oportunidad de ser dos medias naranjas.
Te quisiera aquí, sí, te quisiera confiando que el destino nos he juntado por alguna razón.
Te quisiera aquí, a mi lado, con la certidumbre de que seríamos, por lo menos, buenos amigos.
Sí, yo te quisiera aquí, conmigo, sin miedo alguno y llena de alegría.
Voy a pedir a Diós que te ilumine y te dé la fuerza y las ganas de pensar en mi propuesta con el corazón... y sólo con el.
... y perdona la hora tan tardia para semejante declaración... pero voy sintiendo que, de alguna forma, me haces falta.
domingo, junho 18, 2006
(Poema) Quisessem Elas
neste mar interminável de rostos sem expressão,
fizessem as trovoadas um mágico acordo com as nossas vidas
para que nos tocássemos no meio de toda a multidão.
Conheço cada traço do teu rosto, conheço de cor os teus olhos,
conheço o toque do teu cabelo e a expressão do teu sorriso,
conheço o som das tuas palavras e a grandeza das tuas opiniões.
Conheço todos os teus pequenos gestos, conheço a tua silhueta,
conheço o toque do teu corpo e a beleza das tuas mãos,
conheço o cheiro que te pertence e a delicadeza das tuas ilusões.
Conheço os teus mais belos sonhos, conheço os teus ideais,
conheço quem ainda procuras e a postura que praticas,
conheço os medos que te atormentam e o pedido das tuas orações.
Sei exactamente como és, apesar de nunca te ter encontrado.
Quisessem mil e um maremotos que eu por fim te tocasse
neste mar interminável de corpos sem expressão,
fizessem os vulcões um poderoso acordo com as nossas almas
para que por fim fossemos um só coração.
E quisessem elas, as quimeras, os trovões, os maremotos e os vulcões que eu, por fim, te encontrasse.
domingo, maio 14, 2006
(Poema) Marte
Promessas de namoro, namoros de mão dada, na lua, sentados. Namoros alegres, leves e firmes. Namoros cheirosos, na praia, deitados.
Sonhos, sonhos de amor, enquanto Marte descia à Terra. Sonhos de esperança, vontade e fé. Sonhos idealistas, promessas para sonhadores e atitudes altruistas.
Promessas, sonhos e ilusões.
Perdi-te Marte. Não ficaste cá o tempo suficiente.
Perdi-te Marte. E perdi um amor diferente. Esqueceste que esse, esse, só a ti pertenceu. Sempre.
segunda-feira, abril 24, 2006
(Poema) Primavera Paixão
Cheira a primavera e a verão, a alegria e a paixão.
Primavera paixão, momentos raros de emoção. Sensações de imortalidade, de grandiosidade, de invencibilidade. Sensações de alegria, de juventude, ilusões de forças celestiais.
Primavera paixão, sentidos raros de união. Emoções do olfato, da pele, do coração. Emoções da química, do toque, ilusões de poderes fenomenais.
Curiosa droga esta...
sexta-feira, março 10, 2006
(Pensamento) Opiniões
sábado, fevereiro 18, 2006
(Poema) Saudade
fica a saudade.
Vai-se o amor, o respeito e a fé,
e fica a saudade.
Vai-se o sonho, a ilusão e a esperança,
e, ainda assim, fica a saudade.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
segunda-feira, dezembro 26, 2005
(Pensamento) Sensatez
Infelizmente, as duas últimas características não abundam nos tempos que correm.
Assistimos assim, ao pulsar de uma sociedade revoltada, impaciente, incapaz de pensar, egoísta, sem auto-estima ao escudar-se na aparência, debilitada nos seus valores morais, propensa ao imediatismo e incapaz de levantar o olhar para o futuro.
Assistimos ao pulsar de uma sociedade nada condescendente porque, na ânsia de singrar, cada um tenta pensar apenas em si e para si, sem perceber que o que os rodeia determina também a sua direcção.
A sensatez é mesmo o reflexo da maturidade e da inteligência.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
(Pensamento) Aparências
Pudesse Ele, através do pensamento, perceber a essência da vida e tudo seria mais simples, mais leve e muito, muito mais bonito.
terça-feira, novembro 15, 2005
(Poema) Sempre
Sempre.
Tal como ontem, hoje e amanhã.
Sempre, meu amor.
Sempre.
Porque sei que ontem assim foi,
hoje é,
e amanhã também será.
Sempre.
terça-feira, outubro 11, 2005
(Pensamento) Às Vezes Páro
... e deixo que o que os meus sentidos recolhem, informações tão límpidas e claras, sejam processadas cá dentro sem defesas: apenas com emoção; alegria ou tristeza, raiva ou orgulho, satisfação ou frustação.
... às vezes páro. E olho para todos vós. E, invariavelmente, me recordo do que vocês eram e no que vocês se tornaram. Não por nossa obra ou por nossa causa, mas ao nosso lado, connosco. E fico feliz, muito feliz.
... às vezes páro. E também olho para mim. E fico feliz, muito feliz, quando as coisas que tanto esforço e sacrifícios me custaram, têm resultados fora de série, excelentes.
... às vezes páro. E também percebo que por vezes, por muitas voltas que dê, há soluções para determinados problemas que não consigo encontrar.
... ontem parei por momentos. Hoje também por momentos parei...
... às vezes páro. E quando páro, coincidência ou não, chego sempre ao mesmo sítio, à mesma conclusão, à mesma emoção: o orgulho, tão grande e tão forte, que sinto por todos vós, sem diferenças e excepções.
Aos meus Amigos.
sábado, setembro 24, 2005
(Pensamento) Atitudes
sexta-feira, agosto 26, 2005
(Pensamento) Quem Somos
Daqui nascem grandes diferenças entre o que sabemos ser e o que os outros sabem que somos.
Assim, tentemos sempre traduzir em acções e palavras aquilo que pensamos, de maneira a aproximar o mais possível estas duas visões distintas.
sexta-feira, julho 22, 2005
(Pensamento) Quando uma Criança Morre
Quando uma criança morre… morre também um pedaço da parte mais pura da nossa Humanidade.
Porque elas são seres humanos genuinamente puros, como nós deveríamos ser,
Porque têm uma magia infindável dentro delas, como nós deveríamos ter,
Porque são totalmente espontâneas, como nós deveríamos ser,
Porque vivem numa quase permanente alegria, como nós deveríamos viver,
Porque para elas os maus momentos são passageiros, como para nós deveriam ser,
Porque elas não têm maldade, como nós não deveríamos ter.
Quando uma criança morre… morre sempre uma parte de mim.
quinta-feira, junho 16, 2005
(Pensamento) Incapacidades
Esta é a verdade.
No dia em que tivermos consciência disto, ficaremos finalmente a um pequeno passo de sermos livres.
quarta-feira, junho 15, 2005
(Infantil) O Paraíso
Sabiam que a travessia era muito difícil - havia uma caminhada interminável pelas areias quentes, um sol tórrido durante todo o dia, vento, muito vento e... nada, nada para ver.
Meteram-se a caminho com responsabilidades repartidas: ele tinha de orientar os dois pela pequena bússula que trazia consigo e ela estava responsável por dosear meticulosamente a água de que ambos dependiam.
Muitos dias passaram. Acumulavam dôr, sofrimento e muitos erros. Ele, por diversas vezes se enganou no trilho, obrigando a mais distância a percorrer e ela, vezes sem conta verteu a preciosa água.
Após uma duna, aparecia outra duna que se mostrava pelo menos tão dura como a anterior. Os erros cometidos tiveram um peso muito grande na menina que parou na subida de mais uma duna para não mais se levantar.
E disse: "Chega, não fui capaz de tomar conta da nossa água hipotecando as nossas chances de alcançar o Paraíso. Desisto."
O menino, incrédulo, dizia: "Mas eu também me enganei por diversas vezes no caminho e se isso não tivesse acontecido, a tua água teria sido suficiente!"
"Por favor!", dizia. "Levanta-te! Esta é uma luta que não tem sentido sem ti! O Paraíso é o nosso Paraíso, não o meu!". E continuou: "Por favor, acredita que vamos lá chegar!".
Mas a menina não mais se levantou, dizendo que os seus erros tinham deitado tudo a perder.
Poucas horas depois, a menina foi para o céu e o menino, destroçado, avançou os metros que faltavam para o cimo da próxima duna.
E, perante ele, lá estava o Paraíso - aquele que agora já não era de ninguém.
Conclusão:
Tenta sempre o melhor que sabes, sem nunca desistir; verás que muitas vezes o Paraíso está mesmo ao virar da esquina.
quarta-feira, maio 25, 2005
(Pensamento) Sonhos
Estou aqui, e daqui não saio, até perceber porque estás mal.
Vou-te acompanhar nessa tua caminhada, que sei não ser fácil, lado a lado, e sempre de mão dada.
Estou aqui para te vir buscar e daqui não saio sem ti.
Vou partilhar contigo tudo o que me vai na alma e sei que com esta atitude estaremos ainda mais próximos.
A minha vida és tu, e a prová-lo estão todas as minhas acções; as palavras que constantemente te sussurro ao ouvido são apenas para to recordar.
Cheguei para ficar a teu lado. Se quiseres falar, falas, se pretenderes ficar calada, ficas. Eu estou aqui e vim para ficar.
Hoje vou-te contar tudo de bom que pensei sobre nós.
Hoje fico contigo.
Sei de tudo o que abdicaste, mas confia, nunca te irei desiludir.
Tu foste a minha luz em muitos momentos difíceis, mas sossega, eu serei sempre o teu porto seguro.
Não te abandono porque fazes parte de mim, da minha alma e do meu corpo.
Para mim, tu vales tudo, até o esforço mais doloroso.
Não tenho medo de tentar fazer algo e acabar por fazê-lo mal; sei que o que realmente admiras é o esforço dispendido.
(Pensamento) O Ideal
Não partilho dessa opinião. Eu acredito que o ideal se constrói, todos os dias e com muito esforço.
quarta-feira, maio 18, 2005
(Pensamento) Alma Apaixonada
Mitiga palavras fora de contexto, procura visões fugazes que lhe sirvam de alimento e aceita como seus, sorrisos para terceiros.
E assim se aguenta à espera do próximo dia...
A alma apaixonada contenta-se com muito pouco.
sábado, abril 23, 2005
(Poema) Eu Amo
eu hoje amo,
mas não quero ser meio amado,
não quero ser um remédio
ou apenas uma solução.
Eu amo,
hoje amo muito,
mas não me entrego a um amor qualquer,
não quero ser um meio
ou apenas uma ilusão.
Eu amo,
hoje, amanhã e sempre,
mas não partilho de um amor sem trilho,
não quero ser só mais um
ou apenas uma sensação.
Eu amo,
eu hoje amo,
hoje amo muito,
hoje, amanhã e sempre,
eu amo.
terça-feira, março 15, 2005
(Dissertação) O Aqui e Agora
O passado é tudo aquilo que já aconteceu, tudo aquilo que já foi e, portanto, tudo o que está morto. Por já ter acontecido, tornou-se imutável, inalterável.
A parte de nós que lida com o passado é a memória, e a memória não é mais do que o passado acumulado.
O próprio pensamento é baseado no passado. A arte de escrever baseia-se no conhecimento e, por sua vez, este representa tudo o que é conhecido. E o que é conhecido assenta apenas em tudo o que já sabemos e vivemos, no acumulado do passado que guardamos na nossa memória.
Sobre isso, pensamos, tiramos conclusões, levantamos dúvidas, questionamos e escrevemos. E, amanhã, tudo o que escrevemos pode deixar de fazer sentido porque, no entretanto, conhecemos e aprendemos mais ou, pelo menos, estamos capazes de o fazer.
Da mesma forma, quem constrói regras baseia-se no que conhece, ou seja, no passado, para as elaborar. E essas mesmas regras, porque baseadas no passado, podem ter vida curta - não se podem aplicar ao que já passou, porque é passado, e dependem do que aí vem, dos próximos acontecimentos, para continuarem ou para deixarem de fazer sentido.
Não nos deviamos basear em regras - elas são fruto do passado. Cada decisão a ser tomada, tem de ser tomada num determinado momento, fruto das circunstâncias do mesmo. E tem de ser tomada de novo a cada momento, com circunstâncias diferentes. Não há regras para isto - só os ignorantes dependem de respostas feitas por medida para tomar decisões; não precisam de ser inteligentes porque vivem agarrados ao passado.
E é bastante fácil e cómodo viver agarrado ao passado. O novo traz o desconhecido e, por arrasto, a insegurança.
Põe em causa o que sabemos até à data, coloca em perigo o que temos e faz-nos ter medo de perder o que já construimos.
O novo traz-nos o medo e o medo, por vezes, impede-nos de viver. Quem gosta de viver com certezas não está realmente a viver - está apenas agarrado ao que já conhece, ao passado, ao que está de alguma forma seguro.
É por isso que muita gente vive grande parte da vida através da memória, colada ao passado. Guardam em baús tudo o que já foi, tudo o que já morreu e acham que recordar é viver. Vivem das coisas mortas e transportam esse enorme lixo com elas.
Mas recordar é usar todo o passado que constitui a memória, não é viver. Recordar pode fazer parte da vida, tal como sonhar faz, mas não é viver.
Ainda há os que guardam todo o tipo de recordações do passado sem que, no entanto, façam uso delas. Transportam uma enorme quantidade de lixo já morto, sem aplicação alguma no que deverá ser a sua vida.
Têm uma enorme dificuldade em libertar-se do que já passou, do que está morto. Por comparação, podemos imaginar alguém que compra mobília nova, nunca se desfazendo da antiga. Não há como conciliar as duas - é perda de espaço, perda de vida, vida que deveria ser simples, leve e bela.
Quem gosta de viver com certezas não está realmente a viver - está apenas agarrado ao que já conhece, ao passado, ao que está de alguma forma seguro.
Alguns pretendem uma vida programada, algo que lhes dê a certeza de que o futuro pode resultar. E isso, na verdadeira vida não existe.
É necessária muita coragem para viver porque é preciso aceitar o novo, o desconhecido. E, como já referi, o novo e o desconhecido trazem medos e incertezas, pondo em causa o que já temos e o que já assumimos como verdadeiro.
Assim, o passado não existe e o futuro constroí-se momento a momento, no aqui e agora.
A cada momento vivido, o futuro torna-se presente e o presente torna-se passado, não tendo já alguma possibilidade de ser alterado porque já foi usado.
E esta é a verdadeira riqueza do aqui e agora: a capacidade única que detém para mudar o curso dos acontecimentos, para construir o futuro que rapidamente se tornará passado.
Nada se pode mudar no futuro. O futuro é apenas o resultado do que fazemos no aqui e agora.
Adiar para depois, não fazer hoje, não tentar hoje, não dizer hoje, não lutar hoje, dizer que se fará num outro dia tem, ao contrário do que muitos pensam, um impacto enorme e directo no futuro.
O resultado dessas ausências no aqui e agora não adia o futuro que neste preciso momento se torna presente e, pela ausência de qualquer acção, não alterou os factos passados.
Os factos passados persistem e, se forem problemas, continuarão exactamente como dantes - problemas.
E o pensamento, que é baseado no conhecimento do passado, julga no aqui e agora, no presente, pelos actos que conhece.
O aqui e agora é o único momento em que podemos alterar o futuro - não há forma de adiar e pretender ao mesmo tempo obter resultados diferentes.
No aqui e agora não há futuro. É mesmo necessário assimilar que não há futuro. O futuro é antes construído no aqui e agora, nas palavras, nos actos e nas omissões de hoje. Ele é feito com cada momento instantâneo do aqui e agora, tornando-se logo presente.
A vida é o aqui e agora. Na vida é permitido sonhar e pensar no futuro. Mas é no aqui e agora que os nossos sonhos se constroem e que o futuro que pensamos para nós se pode tornar presente.
Viver é ter a capacidade de estar no aqui e agora. Viver não é mais do que estar no aqui e agora - por isso é tão importante falar, dizer, agir, fazer, lutar, agarrar, não adiar, no aqui, agora.
E vocês, onde vivem?
terça-feira, fevereiro 22, 2005
(Poema) Lembra-te de Mim
do amor que te tive,
da beleza que em ti notei,
do orgulho que senti
e das lágrimas que disfarcei.
Lembra-te de mim,
da paixão que vivi,
de tudo quanto te dei,
da desculpa que te pedi
e dos sonhos que partilhei.
Lembra-te de mim,
da saudade de te ver,
da mão que desejei,
do apelo que não ouvi
e das loucuras que te contei.
Lembra-te de mim,
dos namoros de mão dada,
da ajuda que te implorei,
do corpo que perdi
e do castelo que recusei.
E lembra-te de mim,
porque amanhã não existo,
deixo apenas simples memórias,
parecidas com pequenas histórias.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
(Poema) Hoje Estou Leve
despi-me da razão e da emoção,
deixei para trás tudo o que era meu,
libertei-me de ideias e ideais,
e deixei-me levar…
Quero apenas ouvir
alguns sons a que me habituei,
aqueles que me fazem renascer,
sentir os arrepios na pele,
e sorrir quando tornar a viver.
Hoje estou leve,
larguei sonhos e ilusões,
deixei cair monstros e papões,
soltei-me da própria vida,
e deixei-me levar…
Quero apenas olhar
alguns rostos que nunca esquecerei,
aqueles que me fazem sonhar,
sentir aqueles sorrisos abertos,
e voltar a vê-los quando regressar.
Sim, hoje estou leve,
nada trago dentro de mim,
e já não me assusto,
porque a vida é mesmo assim.
quarta-feira, dezembro 29, 2004
(Pensamento) Amores
Há outros amores que morrem de morte natural.
Há ainda outros amores que morrem porque os matam.
sábado, dezembro 25, 2004
(Poema) Natal
... é nunca esquecer de quem gostamos...
... respeitar quem nos quer bem...
... ajudar quem necessita...
... estar sempre presente para quem amamos...
... suportar as injustiças sem ser injusto...
... e sorrir apesar de triste.
... é passear de mão dada...
... saber ouvir quem necessita desabafar...
... abraçar quem mais precisa...
... afagar a cara do infeliz...
... desculpar as maldades sem ser mau...
... e perdoar apesar de magoado.
... é dirigir uma palavra linda ao feio...
... dar a mão a um cego...
... prestar atenção ao deficiente...
... acarinhar todas as crianças...
... aceitar os maus momentos...
... e agradecer apesar de chorar.
... é prezar a sabedoria dos mais velhos...
... dar atenção a todos os idosos...
... falar com os abandonados...
... acompanhar todos os solitários...
... aceitar as limitações dos outros...
... e ser feliz apesar das nossas imperfeições.
Natal... é sabermos viver para os outros.
Seremos capazes?
domingo, dezembro 19, 2004
(Dissertação) O Prazer de Comunicar
Na sua essência, a arte de comunicar já detinha tudo o que necessitava para evoluir - usava a voz, os movimentos faciais e corporais e também a imaginação.
Com o aproximar de várias civilizações pela utilização de meios de locomoção que permitiram as cruzadas e outras viagens de exploração, poder comunicar tornou-se imprescindível ao ser humano.
Nos dias de hoje, a globalização trouxe o penúltimo desafio ao Homem - comunicar numa única língua, sendo que o último desafio para a Humanidade talvez seja o de um dia comunicar com outras civilizações, não pertencentes ao nosso mundo.
Mas comunicar, para além de aproximar civilizações, assume também um papel preponderante a outro nível - o pessoal, nomeadamente no estabelecimento de relações, no fortalecimento de laços afectivos e na expressão das nossas necessidades sentimentais.
E, para isso, não basta poder comunicar, é necessário saber fazê-lo, é necessário saber comunicar.
Apesar de todos nós vivermos rodeados por outras pessoas, não é raro encontrarmos pessoas que vivem isoladas em si mesmas, numa completa solidão. São pessoas incapazes de exprimir de forma correcta as suas vontades, sentimentos, alegrias, medos e frustações.
Podemos dividi-las em dois tipos:
As primeiras, apesar de comunicarem frequentemente, experimentam várias dificuldades na fidelização de relações e na criação de laços afectivos fortes.
Mesmo não tendo dificuldades de expressão oral, apresentam um outro tipo de dificuldades, normalmente de ordem afectiva e psicológica.
São pessoas inseguras, indecisas e com pouco amor próprio.
Provavelmente sofreram, durante algum período de suas vidas, repressões de vária ordem, perdendo aos poucos confiança em si mesmas.
Muitas delas são pessoas extremamente válidas, mas com barreiras internas que muitas vezes impedem o estabelecimento de uma relação afectiva normal.
Necessitam de se libertar, mas para isso terão de dar o primeiro passo - aprender a saber comunicar.
As segundas, têm dificuldades na expressão oral e, como tal, pressupõem que não têm o poder da comunicação.
Aclaremos então um ponto, o ponto principal:
Uma óptima expressão oral não é pré-requisito para saber comunicar - normalmente, saber comunicar tem relação directa com tempos, escolhas e atitudes.
Quer isto dizer que, para sabermos comunicar, temos de saber em que alturas devemos falar, em que alturas devemos fazer e em que alturas não devemos nem falar, nem fazer.
Implica também perceber que a palavra complementa apenas a acção, nunca a substituindo, pelo que o acto de fazer vale muito mais do que simplesmente falar (de que adianta dizermos várias vezes que amamos determinada pessoa quando as nossas acções são de desrespeito, afronta ou indiferença?).
E falar não implica a utilização de frases complexas, mas antes a utilização de diálogos claros, francos e directos.
Em suma, a arte de bem comunicar pressupõe que saibamos quando agir em vez de falar, quando falar em vez de agir (de forma transparente e verdadeira) e quando não falar e não agir.
Não há relação sentimental que resulte em pleno quando não se sabe comunicar. A Amizade, a Honestidade e a Cumplicidade necessitam do tipo de comunicação de que falei.
E estas três, juntas com o Amor e o Tempo são a base da Relação Feliz.
Não há como fugir, e comunicar pode dar um enorme prazer, vamos todos experimentar?
quarta-feira, dezembro 01, 2004
(Dissertação) Bons e Maus Pais - II
Talvez fruto de uma consciêncialização crescente da sociedade sobre temas que abordam a importância de um tempo de qualidade e de um maior acompanhamento das crianças, muitos Pais caíram no erro de dar um relevo exagerado às vontades dos filhos, submetendo as mais variadas decisões (decisões essas de sua única responsabilidade), ao seu escrutínio.
Quando aliado a uma nova moda de frisar que os melhores amigos dos Pais são os filhos, esse erro acaba por esvaziar o poder parental e, por consequência, enfraquecer quem deve ser o garante da educação, ou seja, os próprios Pais.
A preponderância que a opinião de uma criança assume em diversas escolhas familiares e o seu carácter muitas vezes decisivo, leva-me a concluir que há Pais que, ao contrário do que se passava no passado, delegaram nas crianças um poder que nunca lhes deveria assistir.
Nestas famílias, a criança obteve um papel central e decisor, muito à margem do que seria aconselhável, relegando para um segundo plano, as vontades dos seus progenitores e, o que em determinadas alturas, seria o mais acertado.
Intervêm nas compras de supermercado exigindo alimentação não aconselhável, na escolha de roupas de gosto duvidoso (quem já não reparou nas crianças que compraram uma determinada peça de roupa que, em qualquer outra situação não seria nunca escolha dos seus Pais?) e por vezes na escolha do destino de férias de todo o agregado familiar.
São Pais de autoridade frágil, que não distinguem atenção de subserviência e assim vão cedendo aos mais diversos caprichos dos seus filhos, sem saberem como lhes negar desejos e vontades.
E assim, assistimos hoje a uma completa confusão no que diz respeito à educação de um filho: confundem-se cedência com flexibilidade, imposição com autoridade, subserviência com atenção e opinião com decisão, entre algumas outras.
Todos os Pais devem ser flexíveis sem no entanto cederem a caprichos, devem exercer autoridade enquanto Pais sem a confundir com imposição, devem dar atenção aos desejos dos seus filhos ser serem subservientes com os mesmos e devem ouvir a sua opinião sem no entanto fazer dela necessariamente decisão.
É necessário saber educar com amor, atenção, compreensão e carinho, mas também com autoridade, rigor e disciplina. É desta mistura em quantidades certas que nasce uma educação salutar e eficiente.
Será que estamos todos capazes desta tarefa?
quinta-feira, novembro 11, 2004
(História) Milagres de Deus
Para além dos fins de semana quinzenais, durante dois dias e duas noites por semana, tenho o previlégio de ficar com os meus filhos (o Miguel que vai fazer seis anos e a Carolina que irá fazer três) e de, nessa altura, ser ainda mais Pai do que nos outros dias.
Por cada um desses dias, são quatro horas até deitar, repletas de desafios e de imensas alegrias:
São os pequenos abraços quando os vou buscar à escola, abraços do tamanho de um Xi, apertados e seguros, tal como um grande mata saudades...
São os lanches no café, as companhias no supermercado, os passeios de trotinete ou os deveres para fazer até às sete...
São os banhos ao chegar a casa, com bolinhas de água e ar a brincar com três corpos que por momentos se transformam em apenas um, como que a provar que a semente está lá, presente em cada um...
São as toalhas, o chão molhado, os cremes e os cheiros, os pijamas, os roupões e os chinelos, os risos, os beijos, os abraços e as brincadeiras com os patinhos amarelos...
São os minutos a preparar o jantar com as suas ajudas; um deles põe a mesa, o outro mexe a sopa... ficando no fim o sentimento de se terem sentido úteis ao contribuirem para uma necessidade comum...
São as suas independências durante a refeição; servem-se do garfo e da faca, da colher... comem sózinhos, como se fossem já pequenos adultos. Riem, brincam e gabam a comida, como se tivesse sido confeccionada por um "chief" francês...
São os minutos de lazer após o jantar, a jogar computador ou a pintar, a ouvir uma história ou apenas a brincar...
São os tons suaves do antes de dormir, no quarto, os três tão juntos a ver um qualquer pequeno pedaço de filme animado, aguardando que o sono chegue... as festas, o tocar dos seus pézinhos, das suas mãos e o som mágico das suas palavrinhas de amor...
São os seus rostos já em descanço, em paz com o mundo e de bem com a vida, felizes, aguardando tranquilamente um novo dia...
São os lentos acordares pela manhã, com sorrisos e toques de bons dias e corridas para o pequeno almoço feito de leite, flocos e pão e as pequenas conversas com a Conceição...
São o preparar dos seus lanches, as saídas com as batas, uniformes e manuais, o passear das mochilas e os beijos de despedida com um até logo mais...
Quando ficam por fim entregues ao seu dia na escola, sobram as suas roupinhas para lavar e a enorme esperança de que no dia seguinte aconteça um novo Milagre de Deus.
E por cada um Lhe agradeço, do fundo do meu coração.
quinta-feira, novembro 04, 2004
(Poema) Viagem
com tempo para viajar anos,
percorrer país por país,
conhecer novos mundos, novos costumes,
novas línguas e novas vestes,
conhecer outros credos, novas fés,
novos paladares e outras iguarias.
Podemos ver arquitecturas diferentes,
vidas mais lentas, outros valores
e paisagens mais quentes.
Podemos até conhecer outras pessoas,
vaguear os seus pensamentos
e amar a sua intimidade.
E tudo isso é belo e divino.
Mas nada se compara
ao mundo de um Homem,
que ele sabe ser sempre seu.
quinta-feira, outubro 28, 2004
(Dissertação) Bons e Maus Pais - I
Estou certo de que, mesmo deixando de fora os casos a que chamo de desvio funcional do laço parental, existem vários Pais que falham de forma contundente a sua missão.
São estes os casos que vamos tentar analisar, começando por enumerar as necessidades de uma criança, aquelas que poderão influenciar de forma decisiva o seu crescimento.
Para além de alimento, de roupa e de educação escolar, todas as crianças necessitam de um acompanhamento equilibrado, num misto de atenção, cuidado e carinho.
Necessitam também (e já o referi no texto Bases da Relação Feliz), de um ambiente estável e bem alicerçado, porque é nesse ambiente que crescem, se desenvolvem, aprendem e tiram lições para a vida.
Provavelmente, este acompanhamento equilibrado será em parte responsável pela sua auto-estima, pela sua confiança e espírito de liderança, pela forma como desenvolvem relações com terceiros e pelo modo como encaram e reagem às adversidades.
Apesar de acreditar que parte destas características possam ser de alguma forma inatas em algumas crianças desde o seu nascimento e, portanto, fruto dos genes que transportam dentro de si, também acredito que todas elas podem ser trabalhadas e desenvolvidas nas crianças que não as possuem logo à partida.
E é precisamente aqui que reside a grande missão dos Pais – ajudar os filhos a superar dificuldades e inaptidões, não os substituindo nesses desafios, mas sim preparando-os para serem seres capazes e autónomos na forma de os enfrentar.
Neste aspecto, podemos tipificar os Pais em três grupos: os Pais que não sabem ensinar e preparar, os Pais que acham que ensinar e preparar é executar todo o tipo de desafios pelos filhos e, portanto, em sua substituição e os Pais que ensinam e preparam através da orientação, dando liberdade de acção de forma equilibrada à criança.
No primeiro grupo, estão aqueles Pais cujo tipo de vida egocentrista os torna de tal forma egoístas que não lhes permite investir tempo algum no acompanhamento dos filhos e, como tal, substituem a sua atenção recorrendo às baby siters, aos Avós, às televisões, aos filmes, às Play Station e aos Game Boy, de forma constante e recorrente.
Não que eu considere que os chamados jogos de computador sejam prejudiciais às crianças, antes pelo contrário. Estou certo que em termos gerais estimulam o seu desenvolvimento, atenção, destreza e os preparam de forma natural para o futuro que os espera - o das tecnologias de informação.
No entanto, a forma constante e recorrente com que alguns Pais substituem o acompanhamento dos filhos por terceiros e pelas tecnologias existentes é que deve ser entendida como preocupante, porque reveste uma forma de abandono e de isolamento.
Infelizmente, para estes Pais tudo parece servir para os manter calados, ocupados, distraídos e sossegados, permitindo assim que lhes sobre tempo para o que têm de mais importante - não os seus filhos, mas antes a sua própria vida.
E nenhum ser humano, quando se torna Pai, deixa de ter vida própria (continua a tê-la e deve mantê-la também). Mas a sua vida própria comporta agora uma outra responsabilidade - a educação e acompanhamento de um filho.
Até determinada idade, o amor dos filhos pelos seus Pais é incondicional e o tipo de Pai que somos não tem influência redutora nesse amor. No entanto, isto não significa que os filhos não sintam esta forma de abandono e que, dia após dia, não sofram com as constantes expectativas defraudadas por não poderem estar mais uma vez com o seu Pai (e estar é estar em comunhão, em partilha).
Mais tarde, quando a criança desenvolver o seu sentido crítico, julgará o Pai que tem e, deste julgamento, nenhum dos Pais está livre.
Acredito que estes Pais não tenham sequer ideia do que se pode passar dentro das cabeças das suas crianças; talvez pensem que são pequenos demais para se aperceberem de tudo o que os rodeia. Mas é precisamente entre os três e os seis anos de idade que as crianças estão mais receptivas a assimilar tudo o que se passa no exterior, à volta do seu mundo que, ao contrário de ser pequeno, cresce exponencialmente de dia para dia.
Estas crianças ficam por vezes com marcas de insegurança e várias carências de ordem afectiva que lhes prejudicará a construção de relações futuras.
Se no Pai que vive com a mãe dos filhos, estas falhas podem ser atenuadas (e apenas atenuadas) pela presença da progenitora, no caso do Pai divorciado, a proporção dos danos é bastante superior, porquanto o Pai negligencia de forma sistemática o único tempo que tem para acompanhar os filhos.
É assumido que a vida do Pai divorciado deve mudar radicalmente nos dias em que priva com os filhos. Não existe a Mãe dos filhos para o substituir em nenhuma tarefa, pelo que as suas prioridades devem estar focalizadas para o maior bem que possui - as suas crianças.
Não obstante esta Verdade, este tipo de Pais entrega a maior parte dessas horas aos Avós e às baby siters para não ter que alterar a sua forma egoísta de estar na vida.
Normalmente, os jantares com os amigos têm prioridade, os jogos de futebol também, as reuniões de trabalho idem e por aí fora, numa lógica totalmente inconsciente onde a importância da criança não tem o papel central que deveria ter.
No segundo grupo, estão aqueles Pais que dedicam tempo e atenção ao acompanhamento dos filhos, mas que o fazem, na maioria das vezes, de forma errada. Infelizmente, não basta dedicar tempo e acompanhar – é necessário saber como o fazer.
O Pai que investe tempo a ensinar um filho e lhe dedica a frase “caramba, nunca fazes isto direito” sempre que assiste a um erro, poderá estar a fazer ainda pior do que o Pai tipificado no primeiro grupo – é que por vezes mais vale um filho não ensinado e preparado (porque pode sempre ter uma grande capacidade de auto-didatismo e elevados graus de confiança adquiridos por outro meio), do que um filho com traumas e sequelas impeditivas, fruto da linguagem negativa dos Pais (não é assim tão raro vermos crianças e adolescentes assumirem para si próprios que nunca fazem nada direito ou que não vão conseguir superar os desafios com os quais se irão deparar).
Muitos Pais cedem à tentação de "fazer pelos filhos", substituindo-os nas mais diversas tarefas, impedindo-os assim de aprender errando mas, ao mesmo tempo, praticando e aperfeiçoando o resultado.
Os Pais devem orientar os filhos, deixando a experiência prática para eles. E essa experiência trará resultados por diversas fases: desde o resultado insuficiente até ao resultado satisfatório. Nesse entretanto, é necessário acompanhar a criança com diálogos positivos, tais como "está cada vez melhor", em vez de "estás sempre a fazer mal" ou "ainda não chega para ser bom".
Pode residir aqui a diferença entre uma criança construindo confiança e auto-estima e uma outra incapaz de o fazer e, portanto, insegura dos resultados que um dia pode produzir.
No terceiro grupo estão aqueles Pais que perceberam que dedicar tempo e atenção ao acompanhamento dos filhos tem como objectivos dar conhecimento e contribuir para o desenvolvimento, bem como cimentar atitudes e posturas perante situações.
Neste caso, é essencial saber trabalhar o conhecimento, a auto-estima e o grau de auto-confiança da criança ou adolescente, porque estas serão as suas ferramentas base para conquistar e vingar no futuro.
Enquanto que transmitir conhecimento a um filho pressupõe a partilha de um conjunto de informações executada de forma metódica, elevar a auto-estima e cimentar a confiança obriga a dar espaço à experiência individual. E esse espaço deve ser complementado com diálogos positivos, de encorajamento e satisfação.
Integrar um filho em algumas decisões pode também ser relevante para o adquirir de confiança. Perguntar "estou a pensar fazer isto de determinada maneira, o que achas?" pode produzir efeitos muito positivos a médio prazo, mesmo que o Pai tenha de guiar uma resposta não satisfatória do filho ao que pretendia fazer, corrigindo-a para "e se fizessemos antes assim?".
São as pequenas diferenças (de atitude, de linguagem e de margem) no acompanhamento e educação de uma criança que normalmente produzem resultados acima da média.
Pensemos um pouco em tudo isto e sejamos Verdadeiros Pais.
quarta-feira, outubro 13, 2004
domingo, outubro 10, 2004
(Infantil) O Espantalho
O espantalho tinha-se tornado num ser triste e solitário, pois nunca tinha a companhia de ninguém; nem a dos pássaros, incumbido estava de os afastar.
Cansado e muito só, virou-se para o céu e disse: “Ai Jesus, se eu pudesse pedir um desejo, um único que fosse, pedia para ser livre durante um dia!”.
Ao imaginar como seria não ter aquele pau a segurar o seu corpo de palha e poder correr pelos campos, ir até à vila, conviver e brincar, desatou num choro de anos que hoje já não conseguia conter.
De repente, notou que no céu se formava uma grande luz, tão forte que aquele início de manhã se parecia tornar numa linda tarde.
E a luz falou para ele: “Espantalho!... Espantalho!...”.
O espantalho estava agora cheio de medo.
“Quem fala para mim?” disse, olhando de forma fixa para aquela luz.
“Sou eu, Jesus. Ouvi a tua prece e decidi conceder-te esse teu desejo.”.
O espantalho tremia de medo mas também de alegria... “Meu Deus, Jesus! Porque olhaste Tu para mim?”, perguntou.
“Porque te senti demasiado só. E acho que és um espantalho de bem”, disse Jesus.
Ao dizer estas palavras, Jesus fez desaparecer o pau que sustentava o espantalho e ele pôde colocar os seus pés de palha no chão.
“Vai espantalho, diverte-te neste dia que tanto pediste aos céus. Espero-te no final da tarde.”.
“Obrigado! Obrigado!”, disse o espantalho, ajoelhado perante a luz, entre lágrimas e sorrisos.
E desatou a correr! Primeiro pelos campos que fizeram dele prisioneiro e depois em direcção à vila.
Quando lá chegou, todos os habitantes se espantaram com a sua presença e aproximaram-se para saber o que se tinha passado.
O espantalho contou a sua história e logo depois foi brincar com os meninos e meninas junto da fonte da praça.
E brincou, molhou-se, tomou banho com outros meninos e meninas, foi almoçar com os homens e mulheres, falou, falou, e também ouviu a tarde toda, as histórias que faziam a alma daquela vila.
Todos gostaram imenso do espantalho, e ofereceram-lhe um belo lanche. No final, quando os seus novos amiguinhos o convidaram para brincar novamente, o semblante do espantalho mudou e a tristeza tomou conta do seu rosto.
“Não posso, tenho de me ir embora. Prometi a Jesus que lá estaria no final da tarde e não me quero atrasar.”.
“Fica!”, disseram alguns dos homens da vila. “Se ele te soltou, às tantas é para que não tenhas de voltar mais! Fica connosco!”.
Mas o espantalho virou costas e, de lágrimas nos olhos, foi embora. Chegado ao campo e vendo o pau que durante tantos anos o segurou, disse: “Jesus! Estou aqui!”.
A luz apareceu novamente e perguntou: “Então, gostaste deste teu dia de liberdade?”.
“Sim, gostei muito...”, disse o espantalho.
“Então porque voltaste?”, perguntou Jesus.
“Porque o tinha combinado contigo.”, rematou o espantalho.
“Num dia, fiz tudo o que em toda a minha vida nunca tive hipóteses de fazer, e apesar de me custar muito voltar a ser um simples espantalho cravado num pau, quero agradecer-Te por teres atendido o meu pedido e me teres deixado provar a liberdade. O dia que me deste porque foi desejo meu já passou e assim, como ficou combinado, aqui estou.”.
“Sabes,”, disse Jesus, “fico contente que saibas o quanto importante é cumprir as nossas promessas e também sei o quanto custou teres de vir embora... toda a gente gostou de ti – eu disse-te que eras um espantalho de bem.”.
O espantalho ouvia as palavras de Jesus, tendo o pau na mão, aquele que o iria mais uma vez segurar pela vida fora.
E Jesus continuou: “Tenho uma outra surpresa para ti. Larga o pau, nunca mais vais necessitar dele porque a partir de hoje és um espantalho livre. A tua liberdade foi ganha por ti, porque soubeste cumprir o prometido.”.
E o espantalho, louco de alegria, beijou demoradamente a luz e saiu a correr, para não mais voltar.
E na vila fez-se festa, com música, comida e foguetes, e ninguém dormiu, até de manhã.
Conclusão:
Cumpre sempre a tua palavra; ela é parte do teu carácter. E mesmo que um dia te custe cumprir, lembra-te que o que acontece de bom no futuro pode estar a depender dela.
sexta-feira, outubro 08, 2004
quinta-feira, outubro 07, 2004
(História) Para Não Mais Voltar
Deambulei, ainda meio confuso, pelas estradas da minha vida e obriguei-me a recordar tudo o que tinhas de lindo, de puro e de verdadeiro.
Pura ilusão. Estavas, já não estando, e partiste, para não mais voltar.
A minha casa estava agora diferente. Os troncos tinham secado, mesmo vivendo dentro de água. As revistas, aquelas que liamos em conjunto, estavam ainda fechadas. O sofá já não tinha mais a tua companhia.
Esperei por um sorriso que nunca apareceu, ou por um qualquer carinho que me acordasse a alma. Agora, as tuas palavras soavam-me longe, distorcidas e sem convicção. Tinhas partido, mesmo estando, para não mais voltar.
Durante todo o tempo em que foste vida na minha, acreditei que estando por ti e para ti, te agarraria para sempre a mim. Mas já me tinhas avisado... mesmo sem nada dizer... com os mesmos olhos meigos com que me amaste... que um dia partirias, para não mais voltar.
Hoje, recordei a nossa noite... aquela... recordei a tua alegria, a tua meigiçe, a tua coragem, a tua força e a tua determinação. Recordei o teu corpo perfeito, a tua voz deliciosa, o teu cheiro viciante... e as tuas mãos, as tuas lindas mãos... que partiram, para não mais voltar.
E assim foi.
Mudaste, talvez por te teres perdido ou finalmente encontrado, mas com isso mudaste também toda a vida que era, também ela, minha.
E ainda hoje penso: porque partiste tu?
quarta-feira, outubro 06, 2004
(Infantil) Um Valioso Presente
Amava a sua filha e não a querendo obrigar a casar com escolha sua, apresentou-lhe três Príncipes de reinos vizinhos. Todos eles eram de sangue azul e todos tinham posses que herdaram das suas famílias.
Havia, no entanto, um problema: a Princesa estava apaixonada por um simples plebeu - não tinha sangue azul, não tinha posses e era de família humilde, mas era um homem íntegro e totalmente dedicado ao seu amor.
O Rei, ao saber do amor de sua filha, e não podendo preterir os pretendentes de sangue azul a bem do espírito de amizade com os povos vizinhos e da própria lei do seu reino, decidiu estabelecer uma prova para os três fidalgos (mostrando assim imparcialidade na escolha), incluíndo também o plebeu, tendo em conta a boa relação com o seu próprio povo.
E disse a todos:
"O que mais quero para a minha filha é alguém que se entregue de alma e coração, dedicando-se a ela e aos futuros filhos. Quem o fizer com a minha filha, falo-á também ao povo do seu novo reino."
"E porque não pretendo fazer distinção entre fidalgos e plebeus, mais ricos ou mais pobres, fica incluído na prova um plebeu em representação do meu povo - porque este reino existe porque existe povo."
"Assim, quem, em trinta dias, oferecer à minha filha a prenda que melhor represente o que mais quero para ela, ficará com a sua mão."
Desde o primeiro dia que o plebeu meteu mãos ao trabalho para acabar a sua prenda a tempo, mas tinha muitos problemas: tinha pouco dinheiro e seus pais dependiam do seu sustento, não tinha património para oferecer nem terras de cultivo, ricas em produtos. No entanto, trabalhava bem a madeira e então meteu mãos à obra.
Num único dia, o primeiro fidalgo mandou vir da India as mais belas joias, tecidos e adornos, coisa que nenhum outro reino tinha ainda visto.
Também num único dia, o segundo fidalgo escriturou em nome da filha do Rei, dez das suas mais belas propriedades.
E o terceiro fidalgo, de uma assentada, mandou colher os mais soberbos produtos das suas vastas quintas, espalhadas pelo mundo.
No final do prazo, todos se reuniram com o Rei no seu castelo e apresentaram as suas ofertas. Depois das valiosas ofertas dos fidalgos, o plebeu mostrou um placa de madeira, talhada com a sua figura, a figura da sua amada e as pequenas figuras dos filhos que sonhava ter.
O Rei decidiu dizendo:
"Dos trinta dias que dei, os três nobres fidalgos investiram apenas um para conquistar a minha filha. Pelo contrário, o plebeu investiu todos os dias no amor que sentia, ao criar com as suas próprias mãos o futuro que merece ter. A mão da minha filha a ele pertence."
A Princesa e o plebeu casaram e foram felizes para sempre.
Conclusão:
O valor de um presente está no tempo investido para o fazer ou encontrar, nunca no seu valor monetário.
terça-feira, outubro 05, 2004
segunda-feira, outubro 04, 2004
(Pensamento) Verdadeira Nobreza
sábado, outubro 02, 2004
(Dissertação) Sucesso de uma Licenciatura
Os três pontos que posso considerar como vitais para o sucesso de uma licenciatura são a importância do professor para o aluno, a importância do esforço do aluno no atingir desse mesmo sucesso e a importância da licenciatura para uma pessoa.
Triângulo do Sucesso
Como se pode traduzir então o Sucesso de uma Licenciatura? Vamos abordar a questão pelas partes identificadas e no final chegaremos a uma conclusão.
O professor tem um papel central no nosso sucesso?
Estou certo que entre as pessoas que leêm este texto, encontramos alunos que se puderam classificar de bons, médios, fracos ou maus.
Pessoalmente, não acredito num mundo de carácter exclusivamente económico, onde as palavras de ordem são "procurar a rentabilidade máxima", porque ele implica de forma automática, a exclusão dos mais fracos e a dificuldade de inserção dos menos bons.
É aceitável, e até desejável, que no final de uma linha de produção se separe o produto defeituoso do que está em perfeitas condições de comercialização, mas neste caso, estamos a falar de produtos, não de pessoas e, como produtos que são, não têm forma de se auto-melhorar, ao contrário das pessoas, que podem sempre aprender, evoluir e melhorar.
Acredito numa política de carácter social, que misture os bons com os médios e com os fracos, porque estes dois últimos podem sempre melhorar e, para melhorar, necessitam por vezes de orientação, de ajuda e de apoio.
No entanto, não pactuo com a preguiça - é para mim condição vital que os bons, os médios e os mais fracos tenham em comum o esforço e a dedicação.
Então, coloca-se a questão: "Como melhorar o aluno médio e o aluno fraco?"
A resposta é "através do empenho do professor".
O professor tem uma missão extremamente complexa que não deve ser reduzida muitas vezes ao tradicional "ensinar para os bons". Todo o professor tem como missão "ensinar para todos, fazendo crescer os médios e recuperando os fracos".
E como é possível recuperar os fracos?
- Dando confiança e motivação
- Ensinando a usar método
- Obtendo o máximo de esforço
Eu era um aluno mediano quando cheguei à Universidade e acabei o curso considerado como um dos melhores. Inteligência? Tenho alguma, mas conheci lá pessoas verdadeiramente inteligentes. No entanto, para além das boas notas em todas as cadeiras do curso, eu tinha sempre as melhores notas nos trabalhos práticos porque o meu esforço era dez vezes superior ao deles.
Tive lá professores que me deram muita confiança e obtiveram de mim o máximo esforço.
Sei que isto é possível porque aconteceu comigo, mudando para sempre a minha vida e, nos anos seguintes a ter terminado o curso, mudei a vida de vários explicandos usando a mesma técnica.
Porque é tão importante o esforço no sucesso de uma licenciatura?
Porque nos dá agilidade de pensamento, porque nos dá um método, resistência e confiança.
Há pessoas que nascem talhadas para certos desportos - têm um jeito natural e uma compleição física própria - mas não raras vezes, o melhor é aquele que mais tempo dedica ao treino. O esforço faz a diferença.
a) Agilidade de pensamento e resistência
- Os músculos ficam ágeis e resistentes quando estimulados periodicamente por exercícios - o cérebro também.
b) Método
- Quando por vezes se executa determinada tarefa com carácter esporádico, nem sempre o caminho usado é o melhor; frequentemente leva mais tempo.
- Mas quando é executada frequentemente, temos tendência para nos interrogarmos sobre qual a forma mais eficaz de a realizar. E isso leva-nos a ter método, a procurá-lo.
c) Confiança
- A confiança é consequência da agilidade mental que se começa a obter e do método que nos permite realizar tarefas com êxito e de uma forma mais rápida.
Esforço não significa necessariamente dedicação total com prejuízo de outras actividades, mas sim um investimento periódico e regular na construção de algo.
Quem investe uma hora por dia a pintar as paredes da sua casa, provavelmente em duas semanas tem o trabalho pronto. Por outro lado, quem espera pela altura de ter dois dias inteiros livres para a pintar, provavelmente ainda não iniciou o trabalho quando o primeiro já o terminou.
Quem investe uma hora por dia a aprender algo, no final de um ano realizou mais de 45 dias de oito horas a trabalhar; no final de quatro anos, realizou 182 dias de trabalho ao que corresponde 2/3 de um ano profissional.
Podemos então assumir que quem investe um pouco todos os dias a mais do que os outros, vai obter uma grande diferença em termos de conhecimento no final de um ano.
O que nos dá então uma licenciatura?
- Mais método
- Mais capacidade de esforço
- Mais resistência
- Mais agilidade mental
- Mais confiança
- Bases para aquilo que vamos fazer durante a nossa vida
- Alarga horizontes ao abrir várias portas ao nosso conhecimento
No mercado actual das tecnologias de informação, a evolução das ferramentas é tão rápida que ainda hoje duvido que uma licenciatura nos dê mais do que as bases.
Por isso, alguns nomes sonantes do nosso mercado empresarial, defendem que os cursos deveriam ter uma duração de apenas três anos (por se encontrarem por vezes tão desfasados nas ferramentas usadas), para que o ciclo de apredizagem no mercado de trabalho se iniciasse mais cedo.
Mas este é um exemplo de uma política puramente económica.
O tempo de crescimento e aprendizagem numa Universidade, se bem que mais lento, é essêncial para criar uma base sólida de confiança e de resistência, sem sujeitar o indivíduo às pressões exteriores.
Por alguma razão a sociedade ocidental proibiu o trabalho infantil (tudo tem de ter o seu espaço para atingir a maturidade).
Não se iludam: cá fora praticamente não existe política social, mas quase sempre económica.
Quando a sociedade perceber que pode recuperar grande parte dos indivíduos, então começará a seleccionar as pessoas apenas pelas suas características pessoais, muitas vezes em detrimento das competências profissionais.
Aos 25 ou 27 anos, um profissional mediano pode vir a tornar-se num excelente profissional (conheço muitos casos), mas raramente uma pessoa arrogante, mesquinha e egoísta se recupera.
São os valores sociais que têm raízes bem mais fortes do que as aptidões profissionais.
Então, já sabemos o que é e do que depende o sucesso de qualquer licenciatura.
E por último, como conclusão:
O que é então o sucesso no mercado profissional?
Profissionalmente, a nossa vida pode ser comparada a uma longa maratona:
- Os atletas devem ter um tempo de preparação, a que correspondem os nossos anos de estudo (e vejam a importância que a preparação tem);
- Depois correm a maratona, e isto corresponde ao conjunto de anos que iremos passar a trabalhar;
- E por fim, cortam a meta e descansam, e isto deve corresponder à nossa reforma.
Digam-me: Se numa prova de 45 Kms, um atleta começa desde logo a sprintar e aos 2 Kms tiver já uma grande vantagem sobre os outros, devemos considerar que ele é bom e que provavelmente irá ganhar?
Será que ele vai aguentar a prova toda? Provavelmente não, talvez seja apenas um inconsciente.
Quero com isto dizer que ninguém tem sucesso aos 30 ou 40 anos; o sucesso da nossa vida profissional vai ser quantificado apenas quando a corrida terminar, ou seja, na reforma de um profissional.
Até lá, ainda podemos chegar em primeiro.
sexta-feira, outubro 01, 2004
(Poema) O Outono
Já queimadas por mais um forte verão,
E cai com elas juntamente
A esperança da nossa união.
Passaram de um verde forte cheio de vida
A um castanho meio sem côr,
Perderam a força de outrora
Tal qual o nosso amor.
O tempo ameno e preguiçoso
Faz com que a natureza adormeça,
Tudo vai morrendo calmamente
Como morreu minha beleza.
E o vento arrasta por fim
As provas de uma vida anterior,
Espalham-se por centenas de quilómetros
As sementes do teu amor.
Resta agora uma imensa solidão
Neste corpo fraco e cansado,
Iluminada apenas pelas lembranças
Da harmonia do nosso passado.
Espero apenas que chegue a morte
Para mais nada poder recordar,
E livrar minha alma da dôr
De tanto te ter feito chorar.
Nasci a teu lado
E a teu lado respirei,
Tive em ti a companheira
Que pouco tempo aproveitei.
Confundi meu mal-estar neste mundo
Com algo de errado na nossa relação,
E maltratei a única pessoa
Que por amor me dava a mão.
Curioso como sinto que ainda me amas
Mantendo-me fechado no teu coração,
Mas preferes viver de mal com o mundo
A assumir a tua única paixão.
Hibernado ficarei a aguardar
Que chegue outra primavera,
Pois as sementes espalhadas
Farão nascer uma nova era.

