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quarta-feira, junho 15, 2005

(Infantil) O Paraíso

Um menino e uma menina que muito se amavam, decidiram um dia atravessar o deserto à procura daquilo em que ambos acreditavam: o seu Paraíso.

Sabiam que a travessia era muito difícil - havia uma caminhada interminável pelas areias quentes, um sol tórrido durante todo o dia, vento, muito vento e... nada, nada para ver.

Meteram-se a caminho com responsabilidades repartidas: ele tinha de orientar os dois pela pequena bússula que trazia consigo e ela estava responsável por dosear meticulosamente a água de que ambos dependiam.

Muitos dias passaram. Acumulavam dôr, sofrimento e muitos erros. Ele, por diversas vezes se enganou no trilho, obrigando a mais distância a percorrer e ela, vezes sem conta verteu a preciosa água.

Após uma duna, aparecia outra duna que se mostrava pelo menos tão dura como a anterior. Os erros cometidos tiveram um peso muito grande na menina que parou na subida de mais uma duna para não mais se levantar.

E disse: "Chega, não fui capaz de tomar conta da nossa água hipotecando as nossas chances de alcançar o Paraíso. Desisto."

O menino, incrédulo, dizia: "Mas eu também me enganei por diversas vezes no caminho e se isso não tivesse acontecido, a tua água teria sido suficiente!"

"Por favor!", dizia. "Levanta-te! Esta é uma luta que não tem sentido sem ti! O Paraíso é o nosso Paraíso, não o meu!". E continuou: "Por favor, acredita que vamos lá chegar!".

Mas a menina não mais se levantou, dizendo que os seus erros tinham deitado tudo a perder.

Poucas horas depois, a menina foi para o céu e o menino, destroçado, avançou os metros que faltavam para o cimo da próxima duna.

E, perante ele, lá estava o Paraíso - aquele que agora já não era de ninguém.

Conclusão:

Tenta sempre o melhor que sabes, sem nunca desistir; verás que muitas vezes o Paraíso está mesmo ao virar da esquina.

domingo, outubro 10, 2004

(Infantil) O Espantalho

Nos campos da vila vivia um espantalho, cravado no alto de um pau, para afugentar todos os pássaros das colheitas que ali cresciam.

O espantalho tinha-se tornado num ser triste e solitário, pois nunca tinha a companhia de ninguém; nem a dos pássaros, incumbido estava de os afastar.

Cansado e muito só, virou-se para o céu e disse: “Ai Jesus, se eu pudesse pedir um desejo, um único que fosse, pedia para ser livre durante um dia!”.

Ao imaginar como seria não ter aquele pau a segurar o seu corpo de palha e poder correr pelos campos, ir até à vila, conviver e brincar, desatou num choro de anos que hoje já não conseguia conter.

De repente, notou que no céu se formava uma grande luz, tão forte que aquele início de manhã se parecia tornar numa linda tarde.

E a luz falou para ele: “Espantalho!... Espantalho!...”.

O espantalho estava agora cheio de medo.

“Quem fala para mim?” disse, olhando de forma fixa para aquela luz.

“Sou eu, Jesus. Ouvi a tua prece e decidi conceder-te esse teu desejo.”.

O espantalho tremia de medo mas também de alegria... “Meu Deus, Jesus! Porque olhaste Tu para mim?”, perguntou.

“Porque te senti demasiado só. E acho que és um espantalho de bem”, disse Jesus.

Ao dizer estas palavras, Jesus fez desaparecer o pau que sustentava o espantalho e ele pôde colocar os seus pés de palha no chão.

“Vai espantalho, diverte-te neste dia que tanto pediste aos céus. Espero-te no final da tarde.”.

“Obrigado! Obrigado!”, disse o espantalho, ajoelhado perante a luz, entre lágrimas e sorrisos.

E desatou a correr! Primeiro pelos campos que fizeram dele prisioneiro e depois em direcção à vila.

Quando lá chegou, todos os habitantes se espantaram com a sua presença e aproximaram-se para saber o que se tinha passado.

O espantalho contou a sua história e logo depois foi brincar com os meninos e meninas junto da fonte da praça.

E brincou, molhou-se, tomou banho com outros meninos e meninas, foi almoçar com os homens e mulheres, falou, falou, e também ouviu a tarde toda, as histórias que faziam a alma daquela vila.

Todos gostaram imenso do espantalho, e ofereceram-lhe um belo lanche. No final, quando os seus novos amiguinhos o convidaram para brincar novamente, o semblante do espantalho mudou e a tristeza tomou conta do seu rosto.

“Não posso, tenho de me ir embora. Prometi a Jesus que lá estaria no final da tarde e não me quero atrasar.”.

“Fica!”, disseram alguns dos homens da vila. “Se ele te soltou, às tantas é para que não tenhas de voltar mais! Fica connosco!”.

Mas o espantalho virou costas e, de lágrimas nos olhos, foi embora. Chegado ao campo e vendo o pau que durante tantos anos o segurou, disse: “Jesus! Estou aqui!”.

A luz apareceu novamente e perguntou: “Então, gostaste deste teu dia de liberdade?”.

“Sim, gostei muito...”, disse o espantalho.

“Então porque voltaste?”, perguntou Jesus.

“Porque o tinha combinado contigo.”, rematou o espantalho.

“Num dia, fiz tudo o que em toda a minha vida nunca tive hipóteses de fazer, e apesar de me custar muito voltar a ser um simples espantalho cravado num pau, quero agradecer-Te por teres atendido o meu pedido e me teres deixado provar a liberdade. O dia que me deste porque foi desejo meu já passou e assim, como ficou combinado, aqui estou.”.

“Sabes,”, disse Jesus, “fico contente que saibas o quanto importante é cumprir as nossas promessas e também sei o quanto custou teres de vir embora... toda a gente gostou de ti – eu disse-te que eras um espantalho de bem.”.

O espantalho ouvia as palavras de Jesus, tendo o pau na mão, aquele que o iria mais uma vez segurar pela vida fora.

E Jesus continuou: “Tenho uma outra surpresa para ti. Larga o pau, nunca mais vais necessitar dele porque a partir de hoje és um espantalho livre. A tua liberdade foi ganha por ti, porque soubeste cumprir o prometido.”.

E o espantalho, louco de alegria, beijou demoradamente a luz e saiu a correr, para não mais voltar.

E na vila fez-se festa, com música, comida e foguetes, e ninguém dormiu, até de manhã.

Conclusão:

Cumpre sempre a tua palavra; ela é parte do teu carácter. E mesmo que um dia te custe cumprir, lembra-te que o que acontece de bom no futuro pode estar a depender dela.

quarta-feira, outubro 06, 2004

(Infantil) Um Valioso Presente

O Rei de um belo castelo procurava marido para a sua única filha. Era um homem sábio, justo e amigo do seu povo.

Amava a sua filha e não a querendo obrigar a casar com escolha sua, apresentou-lhe três Príncipes de reinos vizinhos. Todos eles eram de sangue azul e todos tinham posses que herdaram das suas famílias.

Havia, no entanto, um problema: a Princesa estava apaixonada por um simples plebeu - não tinha sangue azul, não tinha posses e era de família humilde, mas era um homem íntegro e totalmente dedicado ao seu amor.

O Rei, ao saber do amor de sua filha, e não podendo preterir os pretendentes de sangue azul a bem do espírito de amizade com os povos vizinhos e da própria lei do seu reino, decidiu estabelecer uma prova para os três fidalgos (mostrando assim imparcialidade na escolha), incluíndo também o plebeu, tendo em conta a boa relação com o seu próprio povo.

E disse a todos:

"O que mais quero para a minha filha é alguém que se entregue de alma e coração, dedicando-se a ela e aos futuros filhos. Quem o fizer com a minha filha, falo-á também ao povo do seu novo reino."

"E porque não pretendo fazer distinção entre fidalgos e plebeus, mais ricos ou mais pobres, fica incluído na prova um plebeu em representação do meu povo - porque este reino existe porque existe povo."

"Assim, quem, em trinta dias, oferecer à minha filha a prenda que melhor represente o que mais quero para ela, ficará com a sua mão."

Desde o primeiro dia que o plebeu meteu mãos ao trabalho para acabar a sua prenda a tempo, mas tinha muitos problemas: tinha pouco dinheiro e seus pais dependiam do seu sustento, não tinha património para oferecer nem terras de cultivo, ricas em produtos. No entanto, trabalhava bem a madeira e então meteu mãos à obra.

Num único dia, o primeiro fidalgo mandou vir da India as mais belas joias, tecidos e adornos, coisa que nenhum outro reino tinha ainda visto.

Também num único dia, o segundo fidalgo escriturou em nome da filha do Rei, dez das suas mais belas propriedades.

E o terceiro fidalgo, de uma assentada, mandou colher os mais soberbos produtos das suas vastas quintas, espalhadas pelo mundo.

No final do prazo, todos se reuniram com o Rei no seu castelo e apresentaram as suas ofertas. Depois das valiosas ofertas dos fidalgos, o plebeu mostrou um placa de madeira, talhada com a sua figura, a figura da sua amada e as pequenas figuras dos filhos que sonhava ter.

O Rei decidiu dizendo:

"Dos trinta dias que dei, os três nobres fidalgos investiram apenas um para conquistar a minha filha. Pelo contrário, o plebeu investiu todos os dias no amor que sentia, ao criar com as suas próprias mãos o futuro que merece ter. A mão da minha filha a ele pertence."

A Princesa e o plebeu casaram e foram felizes para sempre.

Conclusão:

O valor de um presente está no tempo investido para o fazer ou encontrar, nunca no seu valor monetário.