sexta-feira, outubro 19, 2007

(Poema) Falta-me o Ar

Falta-me o ar...
para me rir, para respirar,
para viver e para andar.

Falta-me mesmo o ar...
para sair, para acreditar,
para escolher e para passear.

Falta-me tanto o ar...
para me iludir, para procurar,
para poder ver e para sonhar.

Falta-me todo o ar...
para descontrair, para perguntar,
para sobreviver e para te olhar.

Falta-me o maldito ar.

quinta-feira, outubro 18, 2007

(Comentário) Monstros e Fantasmas

Há monstros que vivem lado a lado connosco. Pessoas capazes de agir com uma frieza e crueldade dificilmente imagináveis. Cordeiros numa outra altura, que as nuances da vida puseram a nu.

Há monstros que nos magoam com as palavras e com o silêncio. Pessoas que tudo fazem para que sintas que a tua vida não vale de nada sem elas. E vaticinam que os caminhos que escolhes agora, dão para o precipício... provavelmente apenas porque não estão lá.

Há fantasmas que não nos largam, nem quando dormimos. Porque os sonhos os devolvem vezes sem conta à nossa memória, tal como se estivessem vivos, e nos assustam, horrorizam e amedrontam outra vez.

Há fantasmas que, outrora próximos de nós, nos marcaram para sempre. E teimam em não nos deixar seguir em frente. Porque não nos querem libertar. E a cada passo dado, arrastamos um fardo pesado demais.

Há monstros e fantasmas na vida de cada um. Pesadelos autênticos.

Mas há também dentro de cada um de nós, uma poção libertadora. E hoje, o meu simples desejo é de que todos a saibam descobrir. Cada um à sua maneira. Porque ela existe mesmo.

(Dissertação) Paragens da Vida

Temos por vezes e a espaços o desejo de parar toda a nossa vida...

Paramo-la para repensar o nosso Eu, a nossa vida profissional ou a nossa relação sentimental.

Paramo-la pelo cansaço, pela desilusão, pela confusão, pelo medo ou até por nos sentirmos momentaneamente perdidos.

E se essa paragem pode parecer benéfica, há riscos que convém não esquecer.

Se sempre nos assiste o direito de parar a nossa vida, assiste o direito à vida de não parar por nossa causa (porque ela não pára mesmo) e assiste ainda o direito a outros de não ver a sua vida parada por causa da nossa paragem.

Nestes hiatos causados pela paragem de algo e movimentação do restante, criam-se buracos e vazios de informação entre ambas as partes, responsáveis por um afastamento posterior devido à ausência de partilha.

Criam-se assim desconfianças, medos, interrogatórios difíceis de fazer e por vezes de respostas contrafeitas, criam-se distâncias, dores e dificuldades pelos caminhos seguidos pela parte em movimento, cujo orgulho raramente deixa passar em claro.

As paragens de uns são muitas vezes o cemitério dos restantes, porque para esses fica para sempre a incompreenção pela falta, pelo abandono e pela ausência.

E numa vida que se pretende feita de ajuda, de complementariedade e de comunhão entre as partes, uma paragem unilateral tem quase sempre um efeito letal.

Todos sabemos que a vida é movimento. E o movimento implica direcções, caminhos, avanços e recuos, acontecimentos, conhecimentos e decisões que mudam quase sempre o quadro inicial.

Há decisões amadurecidas, decisões por intuição e decisões impensadas.

Decidir parar é muitas vezes uma decisão corajosa e outras vezes uma decisão inconsciente. Porque antes de parar torna-se necessário perceber muito bem qual o impacto dessa paragem nos terceiros que se movem e qual o impacto do movimento de terceiros em quem vai decidir parar.

Invariavelmente, todos querem parar sem arriscar perder. Mas a perda estará sempre presente, no curto ou no médio prazo, porque a vida seguiu entretanto para ambos e por caminhos diferentes.

Há mesmo riscos que convém não esquecer.

quarta-feira, outubro 17, 2007

(Comentário) Pinto-ta Outra Vez

Eu pinto-ta outra vez...
a vida que um dia te ofereci,
essa mesma que aceitaste
pensando muito antes, menos durante
e mesmo muito pouco depois.

Pinto-ta outra vez,
mas não da forma como o fiz
nem da forma como o consegui,
mas antes como sei que sou capaz.

Pinto-ta outra vez.

terça-feira, outubro 16, 2007

(Pensamento) Disputas

Quando não há riscos, perigos e medos numa disputa, não há glória nem prazer na vitória.

domingo, outubro 14, 2007

(Poema) Aqui

Aqui te espero...
e com esta solidão desespero.

Aqui te procuro...
e bato sempre no mesmo muro.

Aqui te sonho...
e me perco no que me proponho.

Aqui te desejo...
e quase morro pelo que não vejo.

Quando chegas tu?

sábado, outubro 13, 2007

(Comentário) Pessoas Ridículas

Ao longo do tempo tenho conhecido algumas pessoas ridículas. Pessoas que se julgam acima da lei, do julgamento popular, das críticas assertivas e do comum dos mortais.

Pessoas que se julgam perfeitas, no limiar da razão, intocáveis, donas da certeza, da única verdade, do poder da crítica e da força da má língua.

Pessoas que se julgam detentoras de centenas de amigos (apesar de dizerem mal de alguns nas costas sem que nada ninguém lhes pergunte), que se julgam anjos por decisão própria e dignas de orgulho e recomendação.

Mas são pessoas pequeninas, inseguras nas apreciações, precipitadas nas acções, de má índole, ciúmentas de carácter, pobres de espírito, imaturas e instáveis no que pensam sobre terceiros.

Talvez se olhassem para o espelho da alma, perdessem a sua postura petulante. E talvez a vida as vá ensinando pela perda acumulada, que por vezes nem tudo é como pensam.

Há mesmo pessoas ridículas...

quarta-feira, outubro 03, 2007

(Poema) O Teu Nome

Hoje a minha dôr tem um nome...

O nome da chuva a cair,
do sol a nascer,
do vento a soprar
e das folhas a morrer.

O nome da enorme saudade,
da triste solidão,
do buraco da amargura
e da moribunda paixão.

O nome das estrelas no céu,
do brilho do luar,
do cheiro da maresia
e das ondas do mar.

Hoje há um nome que aparece
escrito em todas as esquinas...
e como brilha mesmo sem luz
por entre escombros e ruínas.

E hoje a minha dôr tem o teu nome.

quinta-feira, setembro 27, 2007

(Pensamento) Invejas

Para uma grande parte das pessoas é mais importante que os outros não tenham mais do que elas, do que elas virem a ter tanto como os outros. Não pensam "quero ficar como tu", mas antes "hás-de ficar como eu".

E quando a atitude é esta, quando a força que os move é no sentido de fazer baixar os outros em vez de se elevarem a eles próprios, não há família, bairro, cidade ou país que possa andar para a frente.

segunda-feira, setembro 24, 2007

(Poema) Nascer de Novo

Queria nascer de novo...

Queria apagar as recordações,
esquecer-me do bom e do agreste,
enterrar tudo o que fui,
e ser por uns tempos um corpo celeste.

Queria depois nascer de novo,
mantendo os filhos e amigos,
criar uma nova filosofia,
e apurar novos sentidos.

Queria trilhar outro caminho,
renovar todo o meu coração,
libertar-me dos fantasmas,
e entregar-me de novo à paixão.

Queria ser outra vez feliz,
como a espaços me senti,
perder o medo todo à vida,
e em velho sentir que vivi.

Queria tanto nascer de novo...

sexta-feira, setembro 21, 2007

(Comentário) Por Cem ou Por Mil

Há pessoas que na eminência de perderem algo de realmente importante nas suas vidas, adoptam uma atitude associada ao ditado "perdido por cem, perdido por mil". E com este novo prisma de olhar e sentir os seus caminhos, mudam radicalmente as suas atitudes, os seus valores e as suas formas de actuar.

Podem tornar-se intolerantes, inflexíveis, precipitadas, radicais, interesseiras, gananciosas, ladras, egoístas, vingativas ou desonestas. Na realidade, podem ser exactamente o que lhes apetecer.

E podem ser tudo o que lhes apetecer porque acabaram de perder todas as leis que até então regiam as suas vidas. O ditado "perdido por cem, perdido por mil" significa que, na certeza da perda, podem questionar a sua forma comportamental de até então, porque uma mudança para pior não irá piorar a perda que já tiveram.

Assim, quando por exemplo perdem o amor de uma pessoa, podem também perder-lhe o respeito, a amizade, a lealdade e a palavra porque esta ausência de leis não lhes vai piorar a perda.

Esta anarquia instalada vai então potenciar o que cada um tem de pior. E é esta nova versão de uma pessoa que até então parecia ser conhecida que nos leva a concluir que o verdadeiro carácter de cada um se conhece apenas na privação.

As pessoas bem formadas mantêm a sua postura apesar da perda. Mas as pessoas com falhas de carácter optam pela desintegração das suas leis internas. Passam a viver no por cem ou por mil.

(Comentário) Um Par de Palavras

Nunca pensei que apenas um par de palavras pudesse por vezes ter uma consequência tão abrangente e tão letal.

Um par de palavras posto a circular por terceiros chega invariavelmente ao destinatário já aumentado e totalmente desconfigurado de uma essência normalmente já de si má. E este novo contexto criado pelo circuito cria quase sempre uma rotura entre destinatário e mentor do par de palavras.

Os danos aumentam quando o par de palavras original inclui ainda terceiros para além do destinatário. Aí, a abrangência da rotura é maior, espalhando-se aos terceiros envolvidos.

Na cadeia que constitui o circuito de difusão do par de palavras, outras pessoas se vêm agora em rotura com os extremos da mensagem. Uns porque não ficaram calados e outros porque tomaram conhecimento de factos distorcidos.

Curiosamente, o estrago fatal é feito tanto a jusante como a montante.

Um par de palavras bem escolhido, destrói anos de amizades, ligações de confiança, posturas de respeito, ligações familiares e sentimentos de amor.

Acabamos finalmente por ficar libertos, mas sempre pelas vias erradas.

Um par de palavras mal aplicado deixa, para além de um enorme rasto de destruição, também o sentimento de liberdade que alguns anseiam.

E aí, é caso para dizer bendito par de palavras mal aplicado.

terça-feira, setembro 18, 2007

(Pensamento) Cicatrizes

Há cicatrizes que nos marcam a pele, mas que não deixam memória. Há outras que também a marcam, deixando a lembrança do que a causou. Mas há ainda outras que apesar de deixarem a pele imaculada, marcam para sempre a nossa alma.

E estas últimas são assustadoras...

segunda-feira, setembro 17, 2007

(Pensamento) Amor e Ódio

Se do amor ao ódio pode ser apenas um pequeno passo, do ódio ao amor separa-os um imenso oceano.

domingo, setembro 16, 2007

(Poema) Adeus ao Amor

Como se diz adeus ao amor?

Como afastar o querer que nos invade,
a saudade que não nos larga,
a paixão que nos queima,
a lembrança que nos atormenta
e a recordação que nos consome?

O que fazer com a vontade de querer acreditar,
a ilusão de apenas um sonho mau,
a ansiedade de um telefonema,
a esperança de um sinal
e a memória de outros tempos?

Como lidar com a ausência do cheiro,
a ausência do toque,
o silêncio das palavras,
a brusquidão da falta
e dos aconchegos da alma?

Como se diz adeus ao amor?

(Comentário) Sou o Mesmo

Sou o mesmo que apanhou pinhas contigo. Sou o mesmo antes e depois da fractura. A mesma pessoa, com os mesmos sentimentos. O mesmo homem, com as mesmas vontades, medos e sonhos. Só tinhas de ter ficado a meu lado. Nada mais.

Uma fractura não muda o amor. Mas um abandono pode mudar.

(Pensamento) A Raiva

A raiva é sempre o resultado de uma de três coisas: dôr, medo ou frustração. Por vezes até, de uma mistura das mesmas.

sábado, setembro 15, 2007

(Comentário) Alturas Decisivas

Sempre houve alturas certas para determinadas escolhas. Normalmente, essas alturas são momentos na vida onde vários factores se conjugam e nos deixam vislumbrar ao de leve uma ponta do que poderia ser o futuro na escolha de um novo caminho.

Para quem já tem algo que supõe seguro, estas novas escolhas colidem muitas vezes com o medo do Novo, porque todos os novos caminhos trazem também uma incerteza que o que está teoricamente seguro já não tem.

Mas como já várias vezes escrevi, o futuro sempre sorri aos audazes, aos que percebem que a vida é toda uma peça complexa sempre em movimento e, por isso mesmo, um mar de novas oportunidades. Estes, os audazes, não se conformam com meias vidas. Procuram a toda a hora e a cada momento, novos caminhos e novas experiências, capazes de fazer deles pessoas cada vez mais completas e felizes.

Também eu falhei numa dessas alturas certas, por medo de arriscar num caminho que me vinha fazendo muito feliz, e fruto da falha mudei provavelmente uma boa parte do meu destino. Resta-me agora continuar de olhos bem abertos para poder identificar uma nova oportunidade e, desta vez, não a deixar fugir.

Porque há momentos que são mesmo alturas decisivas.

quinta-feira, setembro 13, 2007

(Comentário) Onde Estás Tu?

Onde estás tu?

Tu, que apesar de tudo tiveste durante tanto tempo a minha admiração e orgulho pela mãe e mulher que achei que eras, pela sinceridade com que acabavas por reconhecer os teus enormes erros, pelos valores que transportavas contigo e fazias questão de apregoar...

Tu, que apesar da tristeza de veres todo um projecto de vida morrer, sempre soubeste reconhecer a justa posse de tudo o que estava em causa, reconhecer a ajuda que sempre foi dada aos meninos, mesmo fora de qualquer acordo instituído...

Em que pedra te transformaste tu? Onde escondeste a mulher que durante tanto tempo conheci? Que fizeste à santa que te ofereci? Porque não te guia já ela? Em que antro de ganância te vês agora envolvida? A mando de quem?

Em que te transformaste tu? E onde vais tu parar?

(Comentário) Sakamoto

Bendito Sakamoto que me deixaste. Uma companhia que me transporta para um mundo que em tempos já conheci. Faz-me como que reviver a esperança de pelo menos ter uma vida normal. Ao piano. Com música tocada pela minha alma em todo o meu dia-a-dia. E, aos meus olhos, tem um pedaço de ti. Só tu sabes o que isso significa neste momento para mim. Só mesmo tu.

(História) Perdidos

Estávamos feitos um para o outro. Tínhamos trilhado vidas diferentes até que o destino nos juntou. Não mais nos largaríamos. Por maiores que fossem as dificuldades e toda a maldade que nos rodeava.

Procuravas abrigo debaixo da tenda protectora que havia construído propositadamente para ti. Colocavas-te bem atrás de mim e aproveitavas o conforto da mesma. Não sentias o frio, a chuva, nem tão pouco o medo de deambular sozinha.

Vias nela também o teu caminho, a luz que nos guiava aos dois por um mundo que queríamos novo. Muitas vezes me perguntei se achavas esta tenda realmente confortável... mas a paz e a alegria que via nos teus olhos respondiam-me sempre da mesma forma. Estavas feliz. Como nunca tinhas estado.

Tínhamos também um manto, um manto construído com todos os nossos sonhos, que usávamos para dar mais brilho à lua, mal a noite se instalava. Era ali que guardávamos os nossos segredos e que nos amávamos vezes sem conta. Todas as noites colocávamos mais qualquer coisa no nosso manto. Ele representava o nosso passado, o nosso presente e tudo o queríamos para o futuro.

Repousávamos sempre na torre do nosso castelo, sob as estrelas do céu. Era ali que riamos, que brincávamos e que nos prometíamos um ao outro, para todo o sempre. Aproveitávamos também todos os momentos para namorar de mãos dadas ao abrigo do luar, protegidos pela boa nova das estrelas.

Apesar de todas as provações, tínhamos uma vida plena, porquanto a mesma misturava a paz, a alegria, o amor, o respeito, o carinho, o orgulho, a admiração, a paixão e a vontade.

Mas um dia tudo mudou. E hoje olhas-me sem tenda. Hoje olhas-me sem manto. Hoje olhas-me sem castelo.

Hoje já não te guias a coberto da tenda, não sonhas no nosso manto e não namoras no nosso castelo.

Hoje sentes-me nu, à deriva num mundo atroz e evitas participar a meu lado deste final triste e perdido.

E acabamos assim mesmo, perdidos, num triste final.

quarta-feira, setembro 12, 2007

(Comentário) Roubos à Luz do Dia

Hoje iniciou-se o roubo que há meses fora anunciado. Sei de ladrões que roubam pela calada por forma a não perderem a postura, mas deparei-me agora com aqueles que roubam de cara destapada, sem vergonha de que lhes apontem o dedo.

Hoje também sei que há várias formas de roubar. E aprendi que a má fé pode trazer compensações medonhas, estando provavelmente acima do que a própria lei pode delimitar.

Hoje comecei a ser roubado. De forma descarada. Por uma família sem valores, sem carácter, sem moral e sem vergonha. Pela segunda vez. Roubado à luz do dia.

segunda-feira, setembro 10, 2007

(Comentário) Inteligências

Alguém que muito prezei enquanto esteve entre nós ensinou-me um dia que, de entre vários tipos de inteligência, três valiam a pena analisar com mais cuidado.

Abordou comigo as Inteligências Teórica, Prática e Social.

Vejamos então as suas definições:

Temos a Inteligência Teórica, que se traduz na capacidade que o ser humano tem de aprender à primeira e sem qualquer dificuldade aquilo que outros lhes ensinam.

Temos a Inteligência Prática, que se traduz na capacidade do ser humano aprender algo de novo por si só, sem depender de terceiros.

E temos ainda a Inteligência Social, que se traduz na capacidade do ser humano em aproveitar o melhor da vida, tal qual ela se lhe apresenta a cada momento.

Pensemos um pouco nestas definições:

A Inteligência Teórica é importante porquanto há muito conhecimento novo que nos pode ser transmitido por terceiros.

No entanto, a Inteligência Prática permite-nos aprender sem depender de terceiros, sendo no limite mais importante que a primeira.

Por último, só a Inteligência Social nos dá a capacidade de viver bem, em perfeita comunhão com as facilidades e dificuldades de cada momento.

E não é preciso muito para percebermos que qualquer pessoa, apesar de mais limitada nas duas primeiras, pode mesmo assim, ser bem mais feliz do que as mais dotadas nas já apresentadas.

E se juntarmos a isto a Grande Finalidade da Vida de cada um, que resultado acabam por obter? É mesmo um caso para pensar e analisar com mais cuidado.

(Pensamento) Transportar para o Futuro

Devemos tentar sempre transportar para o futuro as consequências das acções que pretendemos executar hoje e colocá-las em prática apenas se o resultado que vislumbrarmos fôr o que entendemos como positivo e expectável.

Agir de outra forma é arriscar numa má acção pela não projecção de possíveis danos daí decorrentes.

(História) Neste Banco

Hoje parei no nosso banco... naquele onde toda a cidade adormece e onde cheiros e ruídos se transformam. Nunca cheguei a perceber como é que um banco no meio de tão movimentada cidade pode oferecer tamanha privacidade.

Aqui lembrei os nossos sonhos, e a esperança de nunca nos perdermos. Pareciamos pessoas fortes e determinadas, apesar de tudo conspirar contra nós.

Tinhamos passado já por diversas provas de fogo e, uma a uma, tinhamos conseguido superá-las e seguir em frente.

Acreditava eu que, por cada obstáculo superado, o nosso amor saía mais forte e a certeza de que nos queríamos um para o outro também.

Unia-nos um sonho, um sonho de vida, comum, e uma vontade férrea de acabarmos juntos. Sempre. Fosse em que circunstância fosse.

Hoje parei no nosso banco. E hoje não mais sairia dele.

Sei que é sempre melhor viver do que sonhar, mas na falta momentânea de uma opção de vida, o sonho acaba sempre por nos preencher a alma e abraçar-nos o coração.

Sinto saudade de ter saudades. De acreditar. Até de me magoar. De saber que posso contar contigo, que nunca estou só.

Mas hoje, a vida aparece-me plena de nevoeiro e amputada de esperança. Pelo menos daquela que me levava para o teu colo. Aquele que tão poucas vezes me deste.

E hoje, neste banco, lembro-nos outra vez.

sexta-feira, setembro 07, 2007

(Pensamento) Consequência da Causa

Nenhuma acção deve ser julgada fora do contexto onde se insere, sob risco de ser avaliada de forma injusta e incorrecta.

Ao longo da nossa vida, encontraremos certamente acções tomadas apenas em resposta a outras, não sendo assim consideradas como causa.

São antes acções resultado de outras, e que por isso mesmo nos obrigam a analisar o que as despoletou de forma a construir uma opinião justa e imparcial.

Apesar de muitas acções serem executadas de forma gratuita, ou seja, sem causa, também há aquelas que apenas acontecem em resposta às primeiras.

Temos então acções que são apenas consequência da causa.

terça-feira, setembro 04, 2007

(Pensamento) Inconstância

Até uma inconstância pode ser normal, equilibrada, coerente e consistente. Neste caso, quando a mesma perdura no tempo.

segunda-feira, setembro 03, 2007

(Comentário) Fora de Série

Há pessoas mesmo especiais. Não sei se as suas experiências de vida fazem delas pessoas mais atentas ao necessitar de outros, ou se foi sendo um cuidar trabalhado que as guindaram a este estatuto.

Pessoas que percebem os momentos que atravessamos, que sentem os nossos medos, que nos facilitam a tradução em palavras da nossa amargura e que a olham pelo único prisma que nos pode fazer bem, relativizando sempre o momento e trazendo uma lúcidez sadia à nossa alma.

Pessoas que nos apoiam com as suas palavras sempre optimistas, que nos transmitem paz, força e esperança, que compreendem a nossa dor e que não nos cobram nesta altura um comportamento brilhante.

Pessoas que investem o seu tempo no nosso momento menos bom, através da sua companhia, de um arrancar de casa para um pequeno passeio e de uma presença sempre constante.

São pessoas especiais, que me merecem todo o respeito, carinho e admiração.

E são estas pessoas, fora de série, que me habitam o coração.

domingo, setembro 02, 2007

(Poema) Como Consegues Dormir?

Como consegues dormir?
Esponja que recebe, que aceita,
que não recusa, que não rejeita?

Como consegues dormir?
Monstro da pausa, do adiar,
que não resolve, que não sabe libertar?

Como consegues dormir?
Pedra de gelo, da indecisão,
que não assume, que não dá a mão?

Como consegues dormir?
Poço de egoísmo, da desventura,
que não pinga, que não desamargura?

Como consegues dormir?
Luz da falsa promessa, da serventia,
mas que já não engana e que já nada de si emana?

Como consegues tu dormir?

sábado, setembro 01, 2007

(Pensamento) Viver em Pleno

Devemos viver em pleno o tempo que nos está destinado.

Porque a vida é só mesmo isto: a capacidade de vivermos bem o momento actual. Não há mais nada. Por isso devemos colocar sempre nas várias coisas que fazemos todo o nosso esforço, alegria e empenho. Sempre. A todo o momento.

(Poema) Algures

Algures
haverá um sítio para nós,
para partilhar.

Algures
haverá um tempo para nós,
para sentir.

Algures
haverá uma esperança para nós,
para sonhar.

Algures
haverá uma oportunidade para nós,
para agarrar.

Algures
haverá um novo ciclo para nós,
para viver.

Algures
haverá uma outra vida para nós,
para desfrutar.

E algures, algures,
nós estaremos de mão dada.
Novamente.

quinta-feira, agosto 30, 2007

(Pensamento) Coisas Básicas

Há coisas básicas num relacionamento enquanto existe amor.

Falar sem discutir é uma delas. Falar com humildade, com carinho e com abertura para percebermos os pontos de vista da outra pessoa é fundamental.

Não desistir, dar a mão, amar sem exigir, acreditar, respeitar, aceitar as diferenças, ajudar, ser amigo nas horas boas e companheiro nas horas más, cúmplice nas conquistas e estar de forma incondicional são mais algumas.

Por vezes, tudo se torna difícil e algumas vezes até irreparável porque não houve o mínimo de cuidado na manutenção diária de tudo o que é simples e básico.

E no fundo, se pensarmos bem, estas coisas básicas deveriam fazer sempre parte do sentimento de amor que une duas pessoas.

(Poema) Se Eu Pudesse

Se eu pudesse...
mantinha-te a ponderação,
mas retirava-te uma boa parte do pessimismo.

Se eu pudesse...
preservava a tua classe,
mas dava-te uma maior alegria.

Se eu pudesse...
colocava sobre ti uns pós
que te permitissem sonhar outra vez.

Se eu pudesse...
colava-me no teu encalço
e seria sempre levado pela tua mão.

E se eu pudesse...
vestia-me de Príncipe
e tornava-me no melhor dos teus sonhos.

Se eu pudesse.

quarta-feira, agosto 29, 2007

(Pensamento) Histórias de Amor

As mais lindas histórias de amor nunca transbordam as quatro paredes de uma casa. Apenas as medíocres são postas a nu.

terça-feira, agosto 28, 2007

(Pensamento) Coragem

A coragem nunca está associada à ausência de medo. A isso chama-se inconsciência. A coragem está no acto de executar algo apesar do medo que se sente.

(Pensamento) Percepções

Há pessoas com percepções curiosas: olhando para apenas umas migalhas, conseguem vislumbrar o pão todo.

Não satisfeitas, assumem-nas como correctas e actuam função das novas verdades.

Percepção apurada ou precipitação?

sexta-feira, agosto 24, 2007

(Poema) Velho Trapo

Sou apenas um corpo velho,
acabado, enxovalhado,
gasto como um velho trapo,
sem vida, triste e só,
roto pela dôr de te perder.

(Pensamento) De Mão Dada

Podemos ainda não ter descoberto a solução, mas podemos sempre descobrir o caminho para ela juntos. De mão dada.

(Pensamento) Silêncio

Silêncio: para a alma, a pior prisão de todas.

(Pensamento) Vida Fácil?

Nunca ninguém disse que a vida era fácil.

É antes feita de precipitações, de reacções erradas, de faltas, de injustiças, de momentos maus, de desilusões, de mágoas.

De afastamentos, de medos, de cobardias, de orgulhos, de erros, de egoísmos, de destruições, de solidões, de desencontros, de agonias.

De ausências, de silêncios, de separações, de fraquezas, de fugas, de desistências, de falhas, de lágrimas, de vazios, de dores.

Mas é também feita de momentos corajosos, de escolhas, de riscos, de trilhos diferentes, de fés, de presenças, de apoios.

De lutas, de descobertas, de uniões fortes, de pactos, de alianças, de provas de amor, de esperanças, de humildades, de companhias.

De sonhos, de ilusões, de surpresas, de novidades, de perdões, de desculpas, de reatamentos, de fortalecimentos, de renascimentos.

Em suma, viver é andar sempre de mão dada. É ter a capacidade de enfrentar os problemas mão na mão. É descobrir de forma conjunta novos caminhos e soluções. E foi precisamente isso que um dia me ensinaram.

(Comentário) Pai

Pai...
um ídolo, um exemplo,
uma rocha, um templo.

Pai...
um amigo, uma luz,
um guia, uma cruz.

Pai...
um caminho, uma estrada,
um carinho, uma espada.

Pai...
um luxo, uma visão,
um farol, um coração.

Pai...
uma doença, assim,
uma coragem, um fim.

Farias hoje 64 anos...
mas deixaste saudade.
E um enorme buraco.
Há já 19 anos.
Estarei contigo.
Um dia. Sim, um dia.

(Comentário) Os Felizes

E hoje há cegos que não conseguem ver o que de mais evidente a vida lhes tem para mostrar. Conseguem abstrair-se do óbvio, vivem num mundo de fantasia e raramente dão ouvidos à razão. São felizes.

E hoje há cornudos que vivem com as suas namoradas e mulheres. São enganados de forma constante, através de actos e palavras, humilhados pelas costas por todos os que sabem, mas de nada desconfiam. São felizes.

E hoje há estúpidos que ainda acreditam que o interesse material não existe. São roubados todos os dias, sugados devagar e deliberadamente, com o mesmo sorriso com que foram conquistados. Nunca o perceberam. São felizes.

E hoje há tolos que acham estar rodeados apenas de pessoas sérias. Como se tudo o que pudesse atrair terceiros estivesse apenas dentro deles. Acreditam nos julgamentos morais, nas opiniões destruidoras e no diz-que-disse. São felizes.

E hoje há ignorantes que menosprezam a subtileza da mulher. Consideram-na fiel, leal, imaculada, pura e verdadeira. Comparam-na ao pensamento e actuação linear do homem e entendem-na assim. São felizes.

E hoje há cegos, cornudos, estúpidos, tolos e ignorantes. Todos felizes.

terça-feira, agosto 21, 2007

(Poema) Frio

Frio.
Hoje sinto frio.
Um frio que se entranha,
que penetra, e não sai.

Frio.
Hoje está frio.
Um frio que nos queima,
que adormece, e não vai.

Frio.
Hoje faz frio.
Um frio que nos engana,
que acalma, e não retrai.

Frio.
Hoje faz mesmo muito frio.
Um frio que se sente na pele,
na alma, e que não se subtrai.

(Comentário) Picado

Fui picado vezes sem conta. E porque entupia, aqui ou ali. Rasgaram-me. Por dentro. Tentaram coser-me. Não tinha remédio. Em definitivo. Foi-me retirada a dignidade. Fui humilhado.

Foi-me negado o direito de continuar. Continuo. Errando. Sem arranjo. Não quero saber se alguém se importa. Fui abandonado. Sem explicação. Sem libertação. Mataram-me. Para Sempre.

Fui picado. Vezes sem conta. Mas outros, piores, foram serrados. Sem volta.

segunda-feira, agosto 20, 2007

(Comentário) Partido

Partido... partido. Sinto-me partido. Por dentro e por fora. Num momento apenas. Infeliz. Daqueles que nunca deveriam acontecer. Hoje estou partido. Em tantos pequenos pedaços, que nenhuma forma me ocorre para os juntar.

Perdi o sol, o Norte, o rumo. Mesmo que apenas por momentos. E hoje larguei-os. Tive de os largar. Sem antes sequer lhes ter enchido a alma. E foram. Não sei se vazios, se cheios, se apenas meio-cheios. Mas foram. Tiveram de ir. E foram.

Hoje sinto-me partido. Todo. Corolário de oito meses. Tão maus. Com tanta maldade. Com tanta perda. Abandono. Injustiça. Ingratidão. Egoísmo. Incompreensão. E o momento. Não pára. Como o abutre. Insiste. Sente o medo. O cansaço. E espera. E volta.

Hoje estou partido. Partido. Mas não quero perder a minha luz. A única que insiste em me guiar. Não me ocorre o porquê. Sei-o, mas tenho medo de não lhe entender hoje a sua verdade. E insiste em estar presente, mesmo longe, tão longe, e em contrariar todo este terramoto, em me agarrar à vida. Por mim. Apenas por mim.

(como eu te quero minha luz, como eu te quero...)

Hoje preciso de me ler. De me reler vezes sem conta. E de me reencontrar outra vez.

domingo, agosto 19, 2007

(Pensamento) Egoísmo

Há pessoas que se portam como as esponjas: absorvem muito e pingam pouco.

sábado, agosto 18, 2007

(Comentário) Aconchego

Quero estar bem aconchegado no teu coração. Como tu estás no meu.

sexta-feira, agosto 17, 2007

(Pensamento) Atitude Certa

Se temos tantas vezes de lutar contra as adversidades da vida, porque não fazê-lo da forma que custa menos?

(Comentário) O Um Perfeito

És minha. Minha. Só minha.
Sou teu. Teu. Só teu.
Eu e tu.
Dois, num um perfeito.

quinta-feira, agosto 16, 2007

(Dissertação) Vidas Diferentes

Gostava de começar por tipificar a vida em apenas dois tipos abrangentes. Todos nós temos vidas diferentes, mas, na sua essência, prefiro pensar, para o tema que vamos abordar, que existem apenas dois tipos de vida: uma mais cinzenta, previsível e cansativa pelo seu vazio, e outra, bem mais colorida, cheia de acontecimentos e de desafios que aumentam o nosso conhecimento. Chamemos-lhes a Previsível e a Repleta.

Desde os primeiros anos de vida que o dia-a-dia de uma criança é feito de descobertas e experiências novas. E estas sensações prolongam-se normalmente até à idade da adolescência.

Após a adolescência, altura em que é mais previsível uma vida repleta de emoções, alguns adultos tendem a diminuir a sua capacidade criativa à medida que envelhecem, concentrando os seus esforços apenas na sua actividade profissional e ocupando o resto do tempo numa permanência muitas vezes quase que obrigatória junto da família (o que é diferente de dizer em família).

Transformaram as suas vidas em algo de mais rotineiro, mais certo, mais rectilíneo, mais expectável e por isso mesmo, menos oscilante. Encaixaram-se na tipificação Previsível.

Quanto a mim, muitos foram sendo aniquilados pelo medo do “novo”, porque o “novo” pode colocar em causa tudo o que está dado como certo e adquirido até ao momento. Esqueceram-se que viver por viver nem sempre é viver.

Do “outro lado” da vida, existem adultos que preenchem a sua vida com diversas actividades para além da actividade profissional e da vida familiar. Estão na tipificação Repleta.

Dedicam-se muitas vezes à cultura (pintura, escrita, leitura, música), aos desportos (ténis, futebol, natação), às viagens e aos trabalhos manuais (jardinagem, olearia, bricolage), entre outras actividades possíveis, enfrentando muitas vezes grandes desafios de pesquisa para ultrapassar dificuldades, à medida que o seu conhecimento aumenta.

São por vezes pessoas auto-didactas, que aprendem por si e para si, para seu único prazer. E, nessa busca incessante de auto-conhecimento, estabelecem métodos, objectivos, caminhos e fórmulas alternativas para superar os desafios.

Tornam-se normalmente, pessoas extrovertidas e optimistas, com uma grande dose de auto-confiança e um carisma distinto. São pessoas com vidas preenchidas, plenas.

Temos então os Previsíveis, os que se acomodam à vida que têm, sem sequer perceberem que o comodismo também é uma espécie de sinónimo de desistência.

Quem se acomoda desiste muitas vezes de viver. Passam a estar apenas vivos, o que não significa exactamente viver.

Quantas pessoas não se acomodam a ideias feitas e a chavões para justificarem perante eles próprios a sua desistência de algo?

Porque para muitos é sempre mais fácil desistir do que ter de lutar por algo, ainda para mais quando o resultado de uma luta e de um enorme esforço, pode ser exactamente igual ao da desistência – a perda.

Quem pretende garantir já hoje que algo possa resultar no futuro, não percebeu ainda a essência de viver: o Aqui e Agora.

É imprescindível perceber a impossibilidade de garantir um futuro sem actuar no Aqui e Agora, pela simples razão de que o futuro não pode ser nunca garantido – mas ele pode ser trabalhado a todo o momento, no Aqui e Agora – e isso dá trabalho, muito trabalho, não oferecendo garantias para além da consciência de se estar a tentar.

É também essencial encarar o “novo” como um desafio e não como uma ameaça a um aparente bem-estar. O homem pode ser considerado maduro quando reconhece que é o único responsável pelo que lhe acontece. E o que lhe acontece deveria estar sempre relacionado de alguma forma com o “novo”.

Os homens Previsíveis tendem a justificar o fracasso com factores externos, com coisas que não podem controlar. Mas, na maioria dos casos, os insucessos são fruto das suas próprias desistências.

Alguém se revê nas frases “deixei de acreditar que esta relação possa dar certo”, “deixei de acreditar que este emprego me dê futuro” ou “deixei de acreditar na vida que levo”?

Na grande maioria dos casos, o fracasso acontece porque focamos as nossas expectativas apenas no que a outra parte pode fazer, esquecendo-nos da contribuição que nós próprios poderíamos e deveríamos ter dado.

É uma postura egoísta, que conduz invariavelmente ao fracasso mas que, curiosamente, não costuma causar grandes danos em quem perde. E porquê?

Porque se arranjam as defesas necessárias para culpar factores externos, como os outros, as circunstâncias ou a falta de meios.

Em contrapartida, são pessoas Repletas, com uma vida mais colorida e mais cheia de acontecimentos, as que atingem o sucesso.

E a grande diferença normalmente reside em dois factores: na atitude e na capacidade de perceber que somos nós próprios os únicos responsáveis pelo que nos acontece, a que chamo maturidade.

A atitude certa leva-nos sempre a ser mais persistentes e mais perseverantes, leva-nos a acreditar mais e a não desistir enquanto sentirmos que algo ainda depende de nós.

A maturidade dá-nos a capacidade de perceber que somos nós próprios os únicos responsáveis pelo que nos acontece.

Sem desculpas externas às quais recorrer, sem desculpas que nos possam iludir sobre a responsabilidade do fracasso, a nossa forma de agir fica mais orientada para o sucesso, muitas vezes porque é apenas o único caminho que nos resta.

quarta-feira, agosto 15, 2007

(Poema) Será Que Um Dia?

Será que um dia
te arrebato a voz e o olhar?

Será que um dia
te arrebato a alegria e o cantar?

Será que um dia
te arrebato o sol e o luar?

Será que um dia
te arrebato o amor e o pulsar?

Será que um dia
te arrebato a beleza e o brilhar?

E será que um dia te arrebato mesmo
o coração, o corpo, a pele e a alma
e te levo comigo ao altar?

terça-feira, agosto 14, 2007

(Pensamento) Nascer de Novo

Às vezes resta-nos apenas nascer de novo. É que nem sempre a bonança se sucede à tormenta.

(Comentário) Um Pouco de Tudo

Rezo para que consigas ser sempre um pouco de tudo para mim:

de santa a prostituta,
de corajosa a medricas,
de sabichona a inocente,
de forte a fraca,
de queque a freak,
de suave a quente,
de conservadora a arrojada,
de fina a rameira,
de comedida a contestatária,
de educada a reles,
de confiante a ciumenta,
de mulher a amante.

Um pouco de tudo, só para mim.

segunda-feira, agosto 13, 2007

(Comentário) Até Final

Vais estar sempre comigo. Guardada. Junto do meu coração. Até final dos meus dias.

domingo, agosto 12, 2007

(Pensamento) Descobrir as Palavras

Encontrem textos especiais. Procurem. E leiam-nos muitas vezes. Procurem neles a essência das palavras. Não fiquem apenas com a ideia do que transmitem. Aprendam a descobrir as palavras porque, em parte, são elas que nos dão vida.

(Comentário) Luz Cometa

Tu sabes que és uma pessoa má, desonesta e com mau carácter aos meus olhos. Mas ontem, e apenas por um momento, foste a luz cometa que me acalmou. E só por esse momento mágico eu te agradeço do fundo do coração.

sexta-feira, agosto 10, 2007

(História) Duas Verdades, Ambas Erradas

Numa relação a dois, a forma como ambos se entregam desde o início, é muitas vezes determinante para o seu desfecho.

Vamos analisar uma pequena história onde ambas as conclusões, retiradas por cada um dos intervenientes no fim da relação, são verdade para cada um deles, mas ambas são erradas num contexto global de sentimento envolvido.

A história reza assim:

Uma menina e um menino gostavam muito um do outro. Pareciam até feitos de propósito para aquela relação. Ambos se amavam muito e ambos estavam certos de que tinham encontrado a sua alma gémea.

Mas a menina, porque no passado já tinha amado e por isso mesmo também já tinha sofrido muito, optou desta vez por uma atitude mais segura e comedida (achava ela).

A menina, com medo de dar tudo o que era, com medo de abrir totalmente o seu coração e se magoar depois, optou por dar a conhecer apenas uma parte de si, ser apenas pela metade, defendendo-se assim de um possível fracasso.

Não se envolveu na totalidade, não deu todo o amor que tinha dentro de si, controlou com a razão de quem sabe o que é sofrer, a emoção de tudo o que tinha para dar.

Sabia que assim, se a relação não vingasse, não sofreria também tanto como no passado porque o seu envolvimento estava agora mais controlado, mais racionalizado.

O menino, que desde o primeiro momento abriu o seu coração a este amor, sem medos, sem barreiras e sem fantasmas, cedo começou a perceber que afinal a menina não se entregava da mesma forma que ele, estava muitas vezes não estando e com isso não conseguiam criar uma ligação forte de união, de cumplicidade.

O menino não procurava uma relação qualquer. Procurava antes uma relação especial e única. Abandonou assim a menina, por concluir que se enganara nas características da menina que havia escolhido.

Conclusão:

A menina era de facto especial, única. O menino também. Estavam feitos um para o outro, na perfeição.

A menina, para se defender, deu apenas parte de si. A relação ao não resultar, só lhe deu razão: não sofreu tanto e como tal, tinha-se protegido. Tomou a sua decisão como certa, como a sua verdade e a partir deste momento passou a guiar-se por este tipo de postura, mais racional.

O menino concluiu que a menina afinal não era aquilo que parecia ser. Era uma pessoa mais calculista, mais racional do que ele e com dificuldades em criar uma comunhão, uma cumplicidade.

Era um amor morno, que o menino recusou. Concluiu que aquela menina não era quem procurava, porque não tinha a capacidade de dar. E esta ficou a ser a sua verdade, também correcta, face aos factos de que dispunha.

O menino e a menina nunca mais namoraram e suas vidas separaram-se em definitivo.

A menina deu metade, para se defender. Não sofreu. O menino conheceu metade da menina como se fosse parte inteira. Não a quis. Tanto um como outro decidiram função das suas verdades.

Foram duas verdades, ambas erradas, que os afastaram de vez.

sexta-feira, agosto 03, 2007

(Pensamento) Semear

A vida tem tudo para ser bonita, alegre, intensa, cúmplice e plena.

Cabe a cada um de nós saber o que quer semear em conjunto com o seu par. Mal ou bem, as decisões cabem apenas a cada um de nós. E serão elas que ao longo do tempo farão da relação algo de especial ou de banal.

quinta-feira, agosto 02, 2007

(Pensamento) Fácil e Difícil

Por vezes é fácil começar mal. Mas depois é difícil torná-lo bonito.

(Comentário) Apneia

Já não respiro na tua ausência.
Não morri antes
porque me ensinaste a fazer apneia.
Mas não durmo...
Voa para mim, vem no vento.